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O Bobo

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A partir do momento em que tomou conhecimento da morte de três oficiais da Força Aérea num acidente trágico, o Chefe de Estado só tinha de fazer uma coisa: cancelar a cerimónia futebolística em Belém e deixar o circo da bola fora da dignidade presidencial. Marcelo porém foi incapaz de compreender esta simples aritmética moral, que é o 2+2 da moral política. Marcelo é um político demasiado mole para cancelar ondas populares, é demasiado dependente da fofura telegénica, é demasiado chico-esperto para não aproveitar politicamente os novos heróis do povo.

A par de outros, este episódio mostra que Marcelo não pensa como estadista, pensa como um entertainer, como um bufão, como um bobo contratado que não é capaz de deixar cair o circo montado. A sua lógica não é a dignidade do estado ou da nação, mas sim a velha máxima do negócio do entretenimento: the show must go on.

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  • Ao criticar os outros candidatos por, durante a última campanha eleitoral, gastarem dinheiro para se darem a conhecer através de meios próprios Marcelo explicou que para ser eleito para um cargo tem de se ser escolhido primeiro pela comunicação social. E alimentou o discurso populista sobre os custos da democracia. Agora, já Presidente, é vítima desse mesmo discurso. Depois de uma notícia do “Correio da Manhã” sobre a viagem de Falcon para Lyon, Marcelo informou que a tinha pago do seu bolso. Se a moda pega os detentores de cargos políticos passarão a pagar para trabalhar. O frenesim mediático de Marcelo leva-o, com alguma frequência, a ceder a um populismo que nem me parece que lhe seja natural. Como quer que a sua popularidade se baseie mais nos afectos (considerações sobre a sua personalidade) do que em opções políticas, está condenado a este tipo de gestos simbólicos que rapidamente se tornarão insustentáveis e se virarão contra ele. Há uma diferença entre a seriedade de quem exige rigor no uso de recursos públicos e a mesquinhez de quem usa cada despesa na representação do Estado para diminuir a democracia. Um Presidente que seja cúmplice desta demagogia está, ele próprio, a enfraquecer a democracia, retirando-lhe as condições materiais para ser exercida