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As Le Pen e as Mortágua unidas no Brexit

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David Cameron fala de uma “humilhação auto imposta” para descrever o cenário gerado pelo Brexit. Percebo o argumento. Mas, a partir do exterior, essa humilhação pode ser encarada como uma traição. Sim, traição. Não, não se trata de uma traição à UE, esse saco de pancada que absorve as frustrações de várias ideologias de esquerda e direita. Estou a falar de uma traição à Europa enquanto espaço civilizacional.

Como dizia alguém na Spectator, os ingleses sabem que, quando atravessam o Canal, encontram ecos de casa no continente europeu; ecos que não encontram em mais lado nenhum, nem nos EUA. Além disso, estes ecos europeus que partilham valores com os britânicos estão a atravessar a fase mais perigosa desde 1989. Os de leste sentem medo perante a Rússia, os do sul estão numa situação frágil e toda a gente - de Londres a Riga - está com receio da questão islâmica interna e da grande questão asiática que nos tira poder todos os dias na grande ordem internacional. Sim, sair neste momento é um acto de traição.

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  • Sabemos como o nosso Orçamento de Estado depende de vistos prévios de uma instituição não eleita. Como as regras são diferentes para cada Estado. Como burocratas que ninguém elegeu fizeram cair governos eleitos da Grécia e Itália para os substituir por “tecnocratas” mais mansos. Como as imposições vindas da União correspondem um programa ideológico que, apesar de não ter passado pelo crivo eleitoral, se sobrepõe aos programas dos governos. Tudo isto pode parecer normal porque nos habituamos a viver na anormalidade. Mas não é. E está a minar os alicerces das democracias europeias. Não havendo uma verdadeira democracia europeia, não aceito transferências de soberania que enfraqueçam a legitimidade democrática do poder. Muito menos quando esses poderes, por não dependerem do povo, impedem políticas sociais. E como ponho a democracia e a igualdade à frente da Europa, isso faz de mim um antieuropeísta ou, como está em voga dizer-se, um soberanista. Ao abandonarem a defesa da soberania os democratas entregaram essa bandeira à extrema-direita e à direita populista. O que quer dizer que em vez desta posição soberanista se basear na legitimidade democrática do poder, se passa a basear numa identidade nacional e étnica. E é por isso que o debate do Brexit se está a fazer em torno da imigração em vez de se fazer em torno da democracia

  • Brexit. “Seria um erro achar que o voto a favor da permanência vai manter tudo como era”

    Jo Cox era uma deputada trabalhista, favorável à integração de refugiados e à permanência do Reino Unido na União Europeia. Nigel Farage é líder do partido anti-imigração UKIP e um dos grandes defensores do Brexit. Na semana passada, à mesma hora, a primeira foi assassinada por um nacionalista xenófobo enquanto o segundo apresentava um cartaz reminiscente da era nazi para convencer os eleitores a castigarem o bloco europeu nas urnas. Novas sondagens mostram que o coincidir desses dois eventos está a aproximar os britânicos mais indecisos do voto de permanência na UE, quando faltam apenas quatro dias para o antecipado referendo ao futuro do Reino Unido. Mas nada vai ser como antes