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Lula e Sócrates: o mesmo reflexo amoral

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Invejarei sempre a plasticidade moral da esquerda. Confesso que gostava de ser assim, isto é, gostava de ter um dispositivo linguístico que moldasse a realidade consoante as minhas necessidades; o mundo seria sempre a representação da minha vontade, quer nas questões empíricas, quer nas questões morais. Olhe-se, por exemplo, para os Papéis do Panamá. Seguindo a minha devota pureza anti-capitalista, transformaria este caso no meu Shangri-la durante uma semana.

Contudo, se na semana seguinte os Papéis do Panamá apresentassem indícios de corrupção de José Sócrates, este caso desceria à condição de intolerável interferência na vida privada, conspiração neoliberal ou fantochada. Como se sabe, um homem de esquerda não entra em terrenos corruptos, está blindado em relação à vilania do mundo, tem um halo de pureza gerado pela água benta aspergida pela Santíssima Trindade, o Progresso, a Revolução e a Impunidade.

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  • Dinheiro do caso Sócrates veio do saco azul do GES

    Hélder Bataglia: “Transferências foram feitas a partir da Espírito Santo Enterprises”. Pagamentos de 12,5 milhões de euros viajaram por offshores. Ricardo Salgado omitiu sociedades offshore ao fisco. João Rendeiro: O esquema misterioso da Quinta Patiño. Os comendadores da República que usaram paraísos fiscais

  • Aperta-se o cerco a Lula

    O procurador-geral da República do Brasil alterou o seu parecer e é agora favorável à anulação do decreto que deu posse a Lula da Silva como ministro da Casa Civil. Pesou a “finalidade” com que o ex-Presidente do Brasil foi nomeado

  • Linhas cruzadas

    Divulgação de telefonema entre o “senhor Lula” e a “querida Dilma” expôs diferenças dos líderes e incendiou o jogo político. Como dizia Tom Jobim, “o Brasil não é para principiantes”

  • A primeira declaração é que não faço a menor ideia se Sócrates é, ou não, culpado de qualquer coisa pela qual esteja acusado. A segunda é que não tenho ideia de que o nosso Ministério Público, por muitos erros que cometa, se sujeite a lógicas políticas. A terceira é que há um limite para a não reação do Estado (da ministra da Justiça, do Presidente da República, da própria Procuradora ou do Supremo Tribunal) a afirmações públicas com enorme gravidade