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Expresso

O caixote do lixo da história

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Em Istambul não há caixotes do lixo, nem os grandes que recolhem os sacos verdes com o lixo doméstico, nem os pequeninos que recolhem o lixo ocasional, o lenço de papel, a lata de Coca-Cola, o inútil guia turístico. A porcaria fica acumulada em enormes pilhas, que, no final da noite, já são pirâmides dominadas por bandos de gatos vadios que ameaçam o turista que não respeita o espaço vital de cada uma destas pirâmides.

Até perceber o esquema, isto é, até perceber que Istambul também é BBC Vida Selvagem, fugi de várias hordas felinas. Às três ou quatro da manhã, não ouvimos as sirenes e os braços mecânicos dos camiões do lixo; ouvimos, isso sim, o som de pás a raspar no chão: são os almeidas turcos a desfazer as pilhas, enchendo camiões com pazadas de lixo. A mente mais eurocêntrica dirá que isto é um hábito orientalista de quem ainda não chegou à fase sanitária da civilização. Este impulso à Cecil Rhodes está errado. A explicação é mais simples: os terroristas curdos usavam os caixotes do lixo para esconder bombas.

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