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Expresso

A eutanásia das grávidas

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Comecemos por aquilo que só pode ser uma fraude do ponto de vista técnico: em Portugal há um número absurdo de gravidezes de alto risco. Há duas maneiras de encarar a situação. A primeira (a via precipitada) passa por dizer que é mais um esquema à tuga para furar o sistema e não trabalhar. A segunda (a via certeira) passa por dizer que a sociedade portuguesa, tal como existe hoje, parece que foi construída em redor de um princípio definidor: lixar a vida às grávidas. Para começar, patrões e chefes quase nunca escondem a sua desaprovação em relação às possíveis gravidezes das suas funcionárias.

A triste verdade é que as mulheres da minha geração têm medo de engravidar; existe uma censura implícita e muitas vezes explícita contra a gravidez. Isto, sim, é um escândalo. E, tendo em conta a gravidade da situação, porque é que este escândalo não gera uma das habituais ondas de indignação com hashtag e não sei quê? Como é que isto não é uma “causa”? Nós temos a taxa de natalidade mais baixa da Europa e uma das mais baixas do mundo. Estamos a cometer eutanásia aos poucos, mas não há maneira de este assunto concreto e urgente entrar na tal “agenda” mediático-política.

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