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Expresso

Ser pai é ter medo

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Como vivemos soterrados em likes, fotos fofinhas e expressões como “qualidade de vida”, acabamos por perder o rasto a coisas que os antigos davam por garantidas. Por exemplo, ser pai é estar sempre com medo. É um medo omnipresente e com múltiplas fontes. Eles podem cair, podem não aprender, podem não chegar, podem falhar e, acima de tudo, podem adoecer. Ficar uma ou duas noites com filhos numa urgência pediátrica retira-nos para sempre do mundo fofinho da paternidade enquanto direito ou prazer.

Esta é uma das razões que explica o meu respeito por “Prematuros” de João Pedro George, um livro escrito em dois tempos: conta a história dos hospitais portuguesas com unidades especializadas em bebés prematuros e conta a história do próprio autor, que conheceu como pai essa experiência aflitiva que é ver nasceu um filho com cerca de quinhentas gramas, que cabe na palma de uma mão, com a cabeça do tamanho de uma tangerina, com os pulmões e demais órgãos por acabar, sem cartilagens; um pequeno ser perdido entre os dois tempos da vida, a fase intra-uterina e a fase pós-uterina. Por acaso, prefiro “Prematuros” quando o João Pedro George-escritor descreve os casos reais que observa no Amadora Sintra ou na MAC, por exemplo, do que quando o João Pedro George-pai mergulha nas suas dolorosas memórias enquanto pai de uma prematura.

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