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Expresso

Não dá para acabar com os open space?

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A obsessão com a transparência é opressiva

FOTO LUÍS FAUSTINO

Na esquina entre a 5 de Outubro e a Pinheiro Chagas (ou António Enes) há um escritório que representava na perfeição a incompreensível moda dos open space. Até se pode falar em transe arquitectónico: o espaço não tem parede exterior, há apenas um enorme vidro; também não existem paredes interiores, ou melhor, as paredes são feitas de vidro, o que cria uma atmosfera sem privacidade. É a glória da transparência, o wikileaks em versão arquitectónica. Cá fora, na rua, nós temos a visão do Super Homem, vemos através daquelas paredes, todas as divisões estão expostas num raio de 360 graus. Faz-me lembrar a primeira das contra-utopias do século XX, “Nós” (1924), um livro mais poderoso do que “1984”. Neste futuro concebido por Evgueni Zamiatine, todos os edifícios são feitos de vidro, as casas e prédios são transparentes, toda a gente vê toda a gente, não existe uma gota de privacidade e, por arrasto, de liberdade.

Não deixa de ser curioso. A nossa época glorifica uma liberdade sem fim a vários níveis (moral, sexual, científica, a liberdade total da net), mas acabou por impor um modelo de trabalho que é opressivo. Num open space é impossível haver sossego. Sempre que entro num open space, como o do “Expresso”, sinto-me desconfortável: não existe um único ângulo morto, não há um único recanto onde possamos estar verdadeiramente sozinhos, a fumar, a pensar, a olhar para as coisas. Qual é o mal das paredes, portas, divisões e gabinetes?

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