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Expresso

O melhor Paulo Portas chegará em breve

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PORTAS Há muito trabalho (intelectual) pela frente

FOTO JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Nunca fui um aficionado de “O Independente”. Havia no jornal um espírito de jogral piadético que me diz muito pouco. Uma coisa é ser engraçado, outra coisa é ser engraçadista. O engraçadismo cansa, porque é um remoinho que se alimenta a si mesmo num movimento perpétuo sem um centro vital. Se repararem, um remoinho de água não tem nada no seu centro, há ali um vazio, é como se um buraco negro estivesse a sugar a água. “O Independente” rodopiou, rodopiou e voltou a rodopiar, qual remoinho, e acabou por morrer porque não tinha um centro, não tinha um conjunto claro de ideias morais e políticas. No máximo, só tinha ideias estéticas ou estetizantes. Por outras palavras, “O Independente” era mais pós-moderno do que conservador. É por isso que também era um queriducho da esquerda caviar – não representava uma verdadeira ameaça narrativa. Era um divertimento. Se o “Expresso” da época era o conselheiro sisudo, “O Independente” era o bobo.

A sabedoria convencional diz-nos que as oscilações ideológicas do político Paulo Portas resultavam apenas do instinto de sobrevivência maquiavélico. Com certeza, não nego esse lado. Mas, a jusante, o camaleão tático que era libertário ao pequeno-almoço e reacionário ao lanche só era possível porque - a montante - a fonte de Portas era pós-moderna, imprecisa, escorregadia. No fundo, ele foi um jovem do seu tempo. Apesar de leituras conservadoras retiradas do baú francês, Portas foi varrido pelo dispositivo pós-moderno, isto é, pela fuga às grandes narrativas, pela recusa ideológica da coerência, pela desistência da busca da verdade (quer no sentido objetivo, quer no sentido moral). Além disso, viveu a primeira fase da sua vida adulta num clima de prosperidade, o que retardou a chegada da maturidade. O pós-modernismo é um luxo de ricos. Quando a prosperidade acabou, quando foi necessário tomar decisões morais e políticas sérias, Portas foi apanhado na governação. E essa governação troikista fez-lhe bem.

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