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Expresso

O terrorismo já nos derrotou

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Amigos de direita não gostam, mas convém recordar que a invasão do Iraque foi a espoleta decisiva da explosão em curso no Médio Oriente. Tomados por uma espécie de optimismo esquerdista, Bush, neoconservadores, Blair e intervencionistas liberais quiseram redesenhar uma realidade autoritária mas estável e, no final do dia, descobriram que há algo pior do que um status quo autoritário, descobriram os quatro cavaleiros do apocalipse, a guerra, a guerra civil, a peste e a morte, que, ao sétimo dia, construirão uma realidade totalitária cem vezes pior do que a velha realidade autoritária. Resultado? Durante uma geração não ouviremos falar em “guerras de escolha” e em “mudanças de regime”. Ora, esta questão externa é de fácil compreensão. O mesmo já não acontece com a questão interna. Por outras palavras, o Iraque não é apenas uma questão de política externa, também questiona a política interna. Como é que uma seita ideológica conseguiu controlar a cabeça do estado mais constitucional do mundo?

Os Pais Fundadores da República americana dividiram o poder para impedir a emergência do imperador americano; nenhum outro país está tão bem preparado para resistir a um desejo ideológico de poder. Contudo, sabemos hoje que a atmosfera de medo e vingança pós-9/11 destruiu qualquer prurido constitucional. Podemos escolher não ir para a guerra, é uma decisão, mas o medo que corrói a liberdade dentro de portas está para lá do perímetro da decisão, é um impulso. Ele simplesmente existe e dominar-nos-á. Esta história trágica é contada de forma exemplar pelo filme “Jogo Limpo” (a passar no Canal Hollywood), que gira em torno do caso Valerie Plame (2003).

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