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Expresso

Não, filha, o Pai Natal não existe

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A minha mais velha está a atravessar a primeira crise de fé, ou seja, começa a duvidar da existência do Pai Natal. Na rua e na escola, ela é soterrada no Natal pós-cristão das renas, das luzes e do velhinho da Lapónia que por artes mágicas tem acesso directo às fábricas de brinquedos da China inteira. Em casa, é confrontada com Jesus e o Presépio. Portanto, ela está numa espécie de jet lag teológico, quer conciliar Jesus com o Pai Natal; faz lembrar aqueles miúdos que são ao mesmo tempo do Benfica e do Sporting só para agradar ao pai benfiquista e à mãe sportinguista. Mas ela não tem essa sorte, não pode ser do Sporting e do Benfica ao mesmo tempo, porque nós garantimos que o Pai Natal não existe.

O que existe é o Presépio. E não, o Pai Natal não pode ficar ao lado do José, nem pode montar o burrinho ou a vaquinha. Claro que nós, por enquanto, vamos perder a batalha. Lá fora, com os outros miúdos, ela vai cantar hossanas aos duendes e às renas que trazem vestidos do Frozen e trotinetas da Cinderela. O que não deixa de ser triste. A minha filha e milhões de outros miúdos estão a perder a beleza do Presépio no meio desta intifada pós-cristã.

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