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Expresso

Auschwitz fica na Polónia

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Conheci o campo de Auschwitz inserido num grupo internacional de jornalistas e escritores conduzido por duas guias polacas. No meio de indisposição genuína e de algum melodrama dos turistas do horror (aqueles que querem mostrar superioridade moral através do choro forçado), um jornalista indiano fez a pergunta que se impunha: sim senhora, o campo era alemão, mas isto fica na Polónia, portanto, isto só foi possível devido a colaboracionistas polacos, certo? As guias polacas rasgaram as vestes pátrias, nem pensar!, isto foi 100% alemão, nenhum polaco ajudou na perseguição de judeus! Uma óbvia mentira que deixámos passar por delicadeza.

É evidente que parte da população polaca era anti-semita. É evidente que parte da população polaca foi conivente ou colaborante com a solução final. Aliás, o anti-semitismo era particularmente agudo nas nações do leste da Europa. Antes do nazismo, os pogroms eslavos e ortodoxos encontraram eco na Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, Moldávia e Polónia. O nazismo não inventou o anti-semitismo. Hitler foi portanto muito útil, porque permitiu o esquecimento deste passado anti-semita e nacionalista. Os polacos nunca se confrontaram com os seus demónios, porque tiveram sempre um titã exterior para absorver os seus pecados. Não, a culpa não foi nossa, foi do Czar. Não, a culpa não foi nossa, foi de Hitler. Não, a culpa não foi nossa, foi de Estaline.

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