Siga-nos

Perfil

Expresso

O grande discurso de Paulo Portas

  • 333

A minha relação ideológica com Paulo Portas é como um pêndulo, vai e vem, ora me agrada com uma ideia corajosa, ora me irrita com a “TSU dos reformados” ou com os momentos “irrevogáveis”. E, em termos históricos, Portas nada deve à coerência, já foi tudo e o seu contrário, já foi uma máquina pós-moderna de comunicação engraçadista (peço desculpa pela heresia, mas não sou fã incondicional do Indy), já foi o reaccionário da feiras, da lavoura e das patilhas oitocentistas, já foi um libertário e agora está finalmente a estabilizar no conceito de “conservador” anglo-saxónico. Ou seja, a idade fez-lhe bem e está muito longe do fim da sua vida política e/ou jornalística.

Aliás, atrevo-me a dizer que o Paulo Portas que interessará no futuro está só agora a nascer. Portas sempre teve talento e graça, mas essa graça servia apenas o seu ego saltitante. Era o embrulho vistoso de uma caixa vazia. Mas, durante os anos da troika, alguma coisa mudou. Encontrou a maturidade, sobretudo depois da chinesice do “irrevogável”. O grande discurso desta terça-feira é o maior sintoma desta mudança. Na terça, Portas adicionou uma nova substância à graça de sempre, resumindo em quinze minutos as grandes preocupações conservadoras e liberais perante a bancarrota política em curso e perante o provável regresso da bancarrota económica.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI