Siga-nos

Perfil

Expresso

Tratar dos velhos não é questão de afetos. É um dever

  • 333

“Não, não gosto do meu pai, mas ele é o meu pai e por isso tenho de cuidar dele.”

Ao longo destes anos, escrevi diversas vezes sobre o assunto: o quadro legal português passou a ser mais agressivo para quem maltratava cães do que para quem maltratava idosos. Verão após verão, Natal após Natal, páginas discretas dos jornais contavam a história que ficava fora do agenda: “idosa abandonado no hospital”, “idoso abandonado nas urgências, médicos não sabem o que fazer”, etc. O curioso é que, no desenvolvimento da história, nunca havia punição para os filhos que abandonavam os próprios pais. Qual era a desculpa? Dizia-se que a lei não era clara, que não dava instrumentos às autoridades - como se fosse preciso uma lei específica para punir alguém que abandona o próprio pai ou mãe. Seja como for, vai surgir de facto uma lei que criminaliza o abandono de idosos. O princípio da lei é justo e, tendo em conta o tema, adivinho que será alvo de duas críticas. A primeira falará em afetos (um indivíduo tem o direito de abandonar o pai porque nunca se deram bem), a segunda falará em rendimentos (um indivíduo não tem dinheiro para cuidar do pai em casa ou num lar). A primeira crítica é um absurdo, a segunda faz todo o sentido e leva-nos para um ponto-chave: a segurança social não está a proteger a maioria dos idosos. As APREs da vidinha e os discursos de Bagão Félix e afins cuidam de outros interesses.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI