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Expresso

“Quem não gosta de animais não é boa pessoa”

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Cadê o Cecil?

A senhora está à minha frente na caixa do supermercado. Tem o tapete rolante cheio de comida de gato; a julgar pela quantidade de caixas que deslizam, deve ter lá em casa uma Amazónia felina. É particularmente lenta a arrumar e a pagar, porque tem o irritante hábito de conversar com a menina da caixa, como se o supermercado fosse a mercearia da Dona Isabel. Para reforçar a irritação, a menina da caixa também aprecia Amazónias felinas; as duas estabelecem uma espécie de irmandade animal, “eles são melhores do que as pessoas”, sim, sim, “eles não nos magoam”, pois, pois, “quem não gosta de animais não é boa pessoa”. E eu à espera com três sacos de Dodot, champô Johnson e três latas de atum que a julgar pelo preço têm uma qualidade inferior aos manjares que a Catwoman leva para as bolinhas de pêlo alérgico. Mas o momento dramático só rebenta quando a senhora me tenta convocar para a irmandade, “o senhor concorda, não é?”. Concordo com o quê? “Ora essa, quem não gosta de animais não é boa pessoa”. Não, não concordo. Eu é mais pessoas, sabe? Olhou-me de alto a baixo. Foi a primeira vez em que tive medo de uma septuagenária armada com uma bengala com o seu quê de Ak-47.

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