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A Tempo e a Desmodo

Gasolina cara? É o Estado, estúpido

Na discussão sobre o preço da gasolina, as pessoas fazem-se de parvas e esquecem um "pormaior": os impostos para o nosso querido Estado representam 59% do preço final.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Vivemos num país estranho. Vivemos num país onde a lógica e os factos são sempre goleados pelos mitos e ódios irracionais. Nesta santa terra, as "empresas" são sempre as más-da-fita, entidades semi-mafiosas. Nesta santa terra, ninguém discute o peso do "Estado", esse menino que não faz mal a ninguém. Este cliché é visível, em todo o seu esplendor, na discussão sobre o preço dos combustíveis.

II. Tal como escreveu João Vieira Pereira (JVP), no Expresso de sábado, a malta dispara sempre contra as maléficas petrolíferas. A culpa é sempre das petrolíferas, essas malvadas que vivem da especulação. E, enquanto estão entretidos a remoer este ódio, os portugueses nunca discutem o ponto essencial: temos uma carga fiscal absurda sobre os combustíveis: 59% para a gasolina e 46% para o gasóleo (contas de JVP). Quando V., caro leitor, paga 1.402 euros por um livro de gasolina, fique sabendo que está a pagar 0.234 de IVA e 0.583 de imposto sobre produtos petrolíferos. Ainda acha que a culpa é das petrolíferas?

III. Eis um exemplo, mais um, de como o nosso Estado é um inimigo das pessoas que vivem cá fora, na realidade não protegida pelo dito Estado. O nosso querido Estado suga-nos, porque tem de alimentar entre 700 mil a 900 mil funcionários vitalícios. O nosso querido Estado suga-nos, porque as pessoas que lá trabalham são incapazes de reduzir os chamados "gastos intermédios" (que belo eufemismo).