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Expresso

A Tempo e a Desmodo

A pedofilia dos bonzinhos

Para os media, há duas pedofilias: a pedofilia não muito grave, cometida por gente boazinha como Roman Polanski ou por malta do Maio de 68. E depois há a pedofilia mesmo má, a dos padres.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Prossegue a loucura em redor do Papa, da Igreja e da pedofilia. A malta diz idiotices, como aquela que proclama que a pedofilia é uma consequência do celibato. Em resposta, um cardeal diz uma idiotice semelhante: a homossexualidade, dizia Sua Eminência, é a causa da pedofilia.

II. Mas o que choca nesta "estória" é mesmo a duplicidade de critérios. Para os media, um padre é um pulha, logo à partida. Mas um artista ou um soixante-huitard já merecem um discurso desculpabilizador. Há uns meses, Roman Polanski foi preso devido a actos pedófilos que cometeu há décadas. Nessa altura, levantou-se uma onda de solidariedade em defesa de Polanski. Coitadinho do Sr. Polanski. Os artistas estão acima do bem e do mal. Os padres estão sempre no mal.

III. O mesmo se passa com o jovenzinho eterno do Maio de 68: toda a gente desculpa os actos, digamos, esquisitos do senhor Cohn-Bendit. Coitadinho do Sr. Cohn-Bendit. E o Maio de 68 não pode ser conspurcado, não é? Ora, os mesmos que desculpam Polanski e Cohn-Bendit são os mesmos que caem em cima dos padres. Mas por que razão Polanski e o menino do Maio de 68 merecem ser desculpados? Resposta simples: porque não fazem parte desse império do mal que é a Igreja Católica. Os 'tolerantes' são assim: só vêem para um lado.