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Expresso

Finalmente milagres em barda

Coluna fidelíssima e sem dúvidas que não advenham de hesitações, que por sua vez são provocadas por insegurança – coisa que se trata com comprimidos – viveu e vive na esperança do milagre. Pensou que seria possível o Santo Padre ganhar o Festival da Canção, o Benfica presidir às Cerimónias do Centenário de Fátima e Salvador Sobral ganhar o campeonato nacional. Isso sim seria um milagre. De qualquer modo, as coisas correrem muito bem, embora se sinta uma certa desilusão por o céu não se ter rasgado e Marcelo Rebelo de Sousa descer para cima de uma azinheira, mostrando que os seus afetos não são inferiores aos da Mãe de Deus

O 13 de Maio foi na Cova da Iria, no Marquês de Pombal e em Kiev. Nunca tinha acontecido, sobretudo a parte de Kiev. Mas devo dizer que houve um momento em que pensei que o Papa Francisco poderia desistir e entregar tudo a Marcelo, nomeando-o, logo ali, Papa. Penso que só não o fez porque o Salvador Sobral ainda não tinha ganho a Eurovisão.

Mas este pensamento durou apenas um quase nada. Percebi depois que isso será impossível, porque o Dr. António Costa deve ter dito ao Papa Francisco que jamais chamaria Santo Padre e Sua Santidade a Marcelo, como chamou lhe chamou a ele. Não consegui medir o indignómetro de Catarina Martins ou mesmo de João Galamba com esta submissão do primeiro-ministro de um Estado laico a um líder de uma religião, mas depois lembrei-me de que Francisco foi eleito e Costa não, pelo que cautelas e caldos de galinha não faziam mal nenhum.

De qualquer modo, tendo eu tido a visão de Marcelo em cima da azinheira, penso fundar a ICAM – Igreja Católica da Aparição de Marcelo (ou abreviadamente os, ou as, marcelitas), sendo que o Dr. António Costa só será obrigado a tratar o Marcelo por Sua Afectuosidade – em contrapartida tem de lhe dar um beijinho na cara (mas um só, segundo o rito cascalense). O primeiro milagre desta nova Igreja foi o Salvador ganhar o Festival.

De resto, o dia correu como previsto para um tipo chamado Rui e para outro chamado Luís Filipe. Eu digo o previsto, porque era o que eu previa, já como Bispo da ICAM. Nós não gostamos de deixar o Espírito Santo e o Jesus em baixo, mas não podemos ter olhos só para o Salvador. Aliás se os tipos insistem em fazer uma festa no largo com o nome do tipo que expulsou os Jesuítas de Portugal, o Marquês de Pombal, vê-se logo que é malta que gosta de amesquinhar. Mas o perdão da ICAM é imenso e o afeto incomensurável.

De qualquer modo, mais uma vez avisamos os dirigentes do Benfica que eles vão todos para o inferno, mais depressa ainda do que foi o Judas traidor, porque esse, ao menos, arrependeu-se e enforcou-se numa figueira, coisa que o Luís Filipe Vieira nem sequer é capaz.

A vida está difícil, mas passado este dia, só por azar é que nas nossas vidas viveremos um igual.