Siga-nos

Perfil

Expresso

A velha Europa escreve aos seus meninos

Coluna sempre disposta ao serviço, seja ele qual for, desde que patriótico, foi com agrado que acedemos ao pedido que a velha Europa nos fez. A velha Europa, como devem saber, tem tido uma vida dura, desde que em jovem foi raptada por um touro, que por acaso era Zeus transformado em animal, tendo sido depois violada de forma que não cabe aqui referir (a porcaria da mitologia grega devia ter três XXX). Por isso mesmo, agora que caminha para a caducidade, pelo menos na apressada opinião de uma rapaziada que por aí anda, não poderíamos deixar de a satisfazer, isto é corresponder à sua vontade. Aqui, pois, vai a dita na íntegra:

“Queridos Europeus, meus filhos, netos, bisnetos e restante família, espero que se encontrem todos bem. Eu cá vou indo apesar da brexite num cotovelo e da orbanite no estômago. O pior, do meu ponto de vista são esses tipos que andam para aí a apregoar que eu estou moribunda. É falso. Ainda agora arranjei um garoto de 39 anos, bem apessoado, aliás habituado a mulheres mais antigas que vai dar cabo dessa megera da Marine que se vê logo ser mulher sem nível para mim. Na Itália tenho o Renzi que voltou, no meio da confusão, a ganhar o partido do poder, e ainda não falei do tio Mariano de Madrid que é, apesar de sopinha de massa, um querido paladino meu, além da minha adorada madrinha Angela, que apesar de um pouco feia, tem por mim um carinho especial.

Mas o meu mais que tudo é o António, o Costa! Por amor de Deus, nem sei como na Europa ainda há quem não saiba quem ele é. Gordinho, jeitoso, fofinho – é tudo o que uma velha mulher que já foi aos touros quer: descanso e boa disposição.

Ora o Toninho, ou o António, se preferirem, representa tudo isso. Meteu no bolso os Mélenchon lá do sítio, que não parecendo são tão perversos, maus ou mesmo desprezíveis como a Le Pen, e consegue ainda, no meio desta confusão toda, cumprir as metas do défice.

A mim, quem me tira as metas do défice tira-me tudo. Já lhes disse que houve um touro, que era Zeus disfarçado, que me raptou e violou. Essa parte da minha vida tenho-a mais preenchida que um centro comercial num dia de chuva. Mas mulheres com metas de défice digam-me quantas conhecem! Nem a Isabel Moreira, nem a Fernanda Câncio. Elas sabem lá o gozo que é a meta do défice, quando eu digo: “Costa, Costa, Toninho, tens a meta do défice?”. E ele responde com o sorriso de gato Chesire (houve um jornalista muito inteligente que já usou esta imagem): “Sim, Europa, tenho-a”. E mostra-me ali um défice que é muito mais pequeno do que eu tinha pedido. Mas, minhas amigas, nesta matéria, o mais pequeno é o melhor.

Por isso, ó ordinários – e refiro-me à loura falsa que é Le Pen (está cheia de cabelos brancos), ao falso jovem que é Wilders (o qual, na verdade, tem 70 anos), ao Nigel Farrage que é falso, ponto final e a mais uns – eu não morri, nem estou moribunda. O Macron gosta de mulheres mais velhas, o Costa gosta de mim, dá-me prazer. O Renzi canta-me a ‘Casta Diva’ e o Mariano cicia-me aos ouvidos.

Digam lá quantas velhotas como eu se podem orgulhar disto e, ainda por cima, ter uma amiga como a Ângela? Ninguém!
Beijinho à Ângela e beijões aos outros,

A vossa Europa"