Siga-nos

Perfil

Expresso

Os aviltados da terra (Canelas e Dias Loureiro)

Coluna solidária e sempre em defesa dos mais fracos (e até daqueles que são menos fortes) ergue-se hoje, plena de compreensão por um juiz e um julgado. Podeis pensar: que coisa contraditória! Mas não é! Nem o juiz de que falo julgou o julgado nem o julgado se queixa deste juiz. São casos separados, embora ambos casus bellis (quem não souber o que é isto vai ao Dr. Google fazer a consulta)

Esta semana tivemos os ataques na Síria os ataques da Síria e os ataques à Síria. Todos eles tiveram condenações e defesas, votos e vetos no Conselho de Segurança da ONU e muita gente inteligente a falar sobre os casos. Passa-se à frente. Houve, ainda, um atentado em Estocolmo, pacífica cidade da Suécia e sua capital, país de que o prevenido Trump tinha falado como exemplo de vítima do terrorismo mesmo antes de o ser. Igualmente muita gente com imenso conhecimento (alguns até sueco falam) se pronunciou sobre a gravidade dos acontecimentos. Dá-se por explicado.

Do que pouco ou nada foi dito – e refiro-me à Imprensa e Comunicação Social internacional – foi da agressão a um juiz e da agressão de um juiz. Da culpa de um arguido e da culpa de um inocentado. Calma, que isto são dois processos diferentes.

O primeiro passa-se em Gaia (Vila Nova da dita, e não a deusa grega que simboliza a terra). Um juiz levou uma joelhada que foi parar ao hospital. Um caso gravíssimo e que merecia que o nosso Guterres pusesse a ONU a votar (ao menos não tinha vetos). O joelheiro (se assim se pode considerar o agressor quando utiliza um joelho) foi imediatamente julgado na praça pública sem que José Sócrates e outros defensores do segredo de Justiça viessem condoer-se do rapaz. Além de julgado, teve a vida mais escrutinada que José Castelo Branco a fazer badalhoquices num quarto de hotel e verificou-se que o rapaz tem historial de meliante. Eis um assunto em que o presumível, alegado, eventual e tudo o mais que ele for, agressor se torna aviltado.

Concomitantemente, noutro processo, um juiz dá uma joelhada, se bem que metafórica, num cidadão inocente. Tão inocente que o mesmo juiz acabara de o inocentar, mandando-o em paz apascentar o pecúlio que arduamente conseguiu. Refiro-me ao tiranete que julgou o Dr. Dias Loureiro, que voltou à condição de cidadão exemplar, agora com o must de ser, também ele, crítico de Cavaco, o que permitiria a Cavaco (caso soubesse história e latim) exclamar et tu, Brute ou noutras versões Tu quoque, Brutus fili mi!.

Ora o douto Dias Loureiro foi absolvido, sim, mas com tal sova (figurada) do juiz que o rapaz de Canelas, ao pé dele, é um aprendiz.

Não tendo esta coluna, por ora, vocação de justiceira, sempre podia mandar o juiz de Canelas julgar Loureiro, com a mansidão dos justos e o juiz de Loureiro arbitrar os jogos do clube de Canelas. Pode ser que tudo ficasse bem, que, finalmente, não houvesses aviltados neste país (embora seja da mínima justiça que haja avultados).

E pronto!