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Expresso

Não se preocupem que eu pago

Coluna vivaça e cheia de escolhos dos quais se desvia a tempo, tem uma solução para o país quase tão boa como a solução do Novo Banco. Será pois mais do que um dever, uma obrigação imperiosa e inescapável (bela palavra) partilhar com todos a ideia, avisando desde já que ela não tem qualquer custo para ninguém porque pago eu tudo

Vamos por partes: o país está em crise desde 1147, mais coisa menos coisa, e depois de 2008 ficou de tanga, embora por escolha do Dr. Barroso já a usássemos desde 2002 (Santana Lopes usava sunga, nesses tempos). A ideia é o Estado dar-me uma garantia de 180 mil milhões (se dá quatro mil milhões pelo Novo Banco não me parece que 180 mil pelo país todo seja algo exagerado) e eu comprometo-me a injetar, a prazo, um quarto desse valor ou seja 45 mil milhões desde que o Estado me garanta que os ativos problemáticos (como lhes chamou para o Novo Banco) sejam com eles e não comigo. Pelo meu lado, fico com a incumbência de gerir o país e colocá-lo no caminho dos lucros.

A lista dos ativos problemáticos será devidamente negociada com o Dr. Carlos Costa e depois com o Dr. Mário Centeno. Depois seguir-se-á outra vez o Dr. Carlos Costa a que se seguirá o Dr. Mário Centeno numa sucessão que só terá fim quando o Dr. António Costa fizer uma comunicação ao país a dizer que vai de férias porque o país passa a ser governado por mim.

Do meu projeto, que foi devidamente aprovado pela Direção Geral da Concorrência em Bruxelas, mormente pelo seu burocrata mor, Johannes Laitenberger, faz parte encerrar 340 aldeias, 29 vilas e três cidades, incluindo a Amadora, e despedir do país cerca de 1,5 milhões de pessoas, sendo que um milhão será por emigração e os restantes por reforma antecipada paga em Angola, em kwanzas.

Quando o país estiver no são (porque os doentes e os velhos com mais de 60 anos também constituem ativos problemáticos, ou melhor, inativos de que nos livraremos oportunamente através da técnica da eutanásia aconselhada ou, se necessário, forçada), entraremos num ciclo virtuoso fantástico. Nunca mais teremos uma crise que seja, ou mesmo um abalo. Só haverá jovens licenciados e trabalhadores, uma espécie de Noruega com o nosso clima. Tudo isto sem que custe um único cêntimo aos contribuintes (aos que restarem claro).

Os bancos reduzirão, por esta via, os seus balcões, os hospitais encerrarão diversos serviços e unidades inteiras do SNS deixam de fazer sentido. As reformas diminuirão drasticamente, assim como as pensões e os subsídios sociais.

Confesso que me passa pela cabeça que o projeto pode ter oposição por ser considerado desumano. Mas alguém pode achar que é desumano darmos o melhor aos nossos filhos (aos que sobrarem claro)?

Não podem! É uma proposta irrecusável. E baseei-me nas resoluções bancárias que, como sabem, são sempre justas e perfeitas. Sobretudo são baratas, porque nunca custam nada ao contribuinte!