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Expresso

Já está tudo na Escola de Chicago

Coluna lampeira esta que todos os domingos irrompe por este sítio frequentado por intelectuais de alta estirpe, que são os seus leitores. Hoje descobriu uma coisa à moda de Cristóvão Colombo: o ovo e um Continente que já todos conheciam. É verdade! O Governo sócio-comuno-esquerdalho foi muito para além da troika. Penso que estão a tentá-lo apanhar na escola de Chicago ou, pelo menos, nos arredores da cidade

Vem o Centeno, meu querido ursinho Zé Colmeia e pumba! O défice até se encolhe. Passou logo de uns números inapresentáveis para uns recatados 2,1%, coisa própria de nórdicos daqueles que não gastam tudo em copos e mulheres. E isto porquê? É o que vamos tentar saber.

No meu tempo, isto é, aí por volta de 2011 ou 2012, a troika queria que baixássemos o défice só para menos de 3%. Faziam-no por que o neoliberalismo da escola de Chicago assim o impunha, mancomunados com a Goldman Sachs e outras organizações perigosas. A isto se opunha o pessoal que está agora no Governo. Passavam a vida a dizer mal da troika e das suas imposições e de Bruxelas e dos seus agentes. Recordo-me, com esforço uma vez que isto já foi há muito tempo, que o presidente do Eurogrupo era Jean-Claude Juncker, um democrata-cristão reacionário que vinha aí como umas prédicas tipo professor zangado. O presidente da Comissão era um português de maus fígados (de Cherne) chamado Durão Barroso que era obviamente da escola de Chicago e do neoliberalismo mais descarado.

Felizmente, tudo mudou. Para o Eurogrupo foi um socialista de nome estranho – Dijsselbloem – e para presidente da Comissão o mesmíssimo reacionário Juncker. Em Portugal, o poder comandado pelo ultra-neo-liberal-quase-fascista Pedro Passos Coelho passou a ser pelo Doutor António Costa, socialista imaculado. E este logo tratou de pôr a casa em ordem. Desde logo, recusa o neoliberalismo e as imposições absurdas de Bruxelas. E não é que tem sucesso? Senão vejamos:

- O neoliberal Barroso foi corrido. Poderíamos pensar que Juncker não era melhor, mas é um erro. Aliás Juncker mudou muito desde que começou a falar com o Governo português.

- O tipo do Eurogrupo, o tal Dijsselbloem, deixou de ser socialista e passou a ser um nipo-nazi-liberal que, ainda por cima, insulta o pessoal do Sul da Europa, com especial incidência para os portugueses. Por isso o Doutor António Costa já o mandou para casa e está pronto a substituí-lo por um colega de Juncker que, apesar de ser de direita é de esquerda.

As exigências de Bruxelas passaram desde então a fazer sentido e ninguém me tira da cabeça que isso se deve a nós portugueses e, em especial ao Zé Colmeia, quer dizer ao Dr. Centeno, e ao Doutor Costa. Foi assim que conseguimos um défice, agora já confirmado pelo INE, que faz corar de vergonha quase todos os países que não conseguiram uma coisa tão linda e tão bela – o mais baixo défice da democracia.

Só falta saber onde anda a equipa que conseguiu este desarrincanço da nossa Economia. Um deles foi visto nos arredores de Chicago. E há quem jure que foi às aulas da dita escola, mas não pode haver a certeza sobre se a jogada foi estudada ou se estamos perante um instinto natural.

De qualquer modo, estamos bem entregues.