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Expresso

Meu filho, tudo o que vês é lixo

Esta coluna que não deixa escapar a cabeça de um alfinete no meio de um palheiro, ou vá lá de um espigueiro, reparou que aquelas agências de rating, façamos o que façamos, estão sempre a meter-nos no lixo. Ora, em Portugal toda a gente sabe que a crise acabou e que vamos de vento em popa, pelo que não se compreende tal atitude

Concedo que há alguns portugueses que possam achar que continuamos em crise, como a Dona Teodora Cardoso ou o Senhor Passos Coelho. Mas, pelo menos o Dr. Centeno e o Dr. Costa estão contentes, além do inefável Marcelo, o nosso querido Presidente da República e outros portugueses cujo nome agora não me ocorre (nem interessam ao caso). O que vale é que a grande maioria está satisfeita e por isso não se entende de todo que a Standard & Poor’s continue a meter-nos na classificação de lixo.

Aliás, para mim é aviltante viver no meio do lixo, coisa que penso que o Dr. Ricardo Salgado também não aprecia, assim como a maioria das pessoas chiques e requintadas do país. Imagino o senhor Amorim a chegar a um dos seus sobreirais e, voltando-se para o herdeiro, dizer: “Meu filho, tudo o que a tua vista alcança é lixo!”. E aviltante.

Acresce ainda que a Standard & Poor’s devia ter mais respeito por nós porque Portugal é um país onde o standard é mesmo ser poor. Ou seja, somos pobres por definição, estatuto, tradição e ambição. De tal modo que os próprios ricos em Portugal são pobres. Têm mordomos pobres, motoristas pobres, criadagem pobre, jardineiros pobres, tripulação de barcos e aviões privados pobres e isso tudo. A prova é que quando se olha para alguns banqueiros com mais tradição logo se nos solta a frase “Pobre homem!”. E o mesmo se passa com certos políticos e até ex-primeiros-ministros perseguidos pela pobreza de não terem como pagar aos amigos ricos que também são pobres. Bom, parece que já perceberam o ponto.

É por isso que a nossa indignação se deve fazer ouvir em todo o lugar. É por isso que devemos juntar a nossa voz e a nossa postura de Catatau ao Zé Colmeia, também conhecido por Mário Centeno. E dizer que a Standard, a Moody’s e a Fitch não nos gramam porque temos sol, sardinhas assadas, um aeroporto no Montijo, vinho do melhor, azeite extra virgem e, como se fora pouco, a Nossa Senhora de Fátima que é uma peregrinação onde até vem o Papa. Se eles descobrissem outro país assim bem podiam dizer que somos lixo. Mas não há como nós!

Ergamos, pois, a cabeça e digamos a esses tipos. Não somos lixo! Somos uns tipos relativamente lavadinhos, se comparados com o Metro de Paris à hora de ponta (piada racista e digna de levar uma multa) e não aceitamos lições de ninguém. Como diz o Centeno, não estamos a ser tratados com Justiça. Já o Sócrates se queixa do mesmo.

Parece que nascemos para sofrer… é a vida!