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Expresso

A falta que faz um estádio para insultar os adversários

Coluna sempre em ebulição, na ânsia de saber que tipo de equipamentos faltam à Nação de modo a torná-la mais feliz e competitiva, tentada pelo aproveitamento das verbas a não gastar mais do que o devido, não criando buracos superiores ao do BES, da CGD e àquele que surgiu, por culpa do Governo anterior na avenida de Ceuta, chega à conclusão de que o Estádio Nacional serve muito bem para o povo exprimir o que lhe vai na alma, sem com isso pôr em causa as instituições da República

Imagine-se o cenário: o Estádio Nacional, ali ao Jamor, com a presença do S.Exa. o Presidente da República. O povo enche as bancadas, pagando um preço que, embora simbólico, sempre ajuda à Caixa (não à caixa do ceguinho do filme de Manoel de Oliveira, mas a Geral de Depósitos). Nisto entra Teodora Cardoso. E o povo, alinhado pelas claques – os que acham que o Conselho de Finanças Públicas está bem entregue à senhora e que a aplaudem; e os que acham que o mesmo estão mal entregue, que a apupam. Líderes de claques, masculinas e femininas, como Assunção Cristas e Catarina Martins; ou Passos Coelho e António Costa, no geral virados de costas para o relvado, incentivam os seus seguidores. Lá no alto, na tribuna, o Presidente faz comentários para jornais, rádio, televisões e redes sociais.

Segue-se o Banco de Portugal. Lá entra Carlos Costa (há por aqui Costas a mais) e submete-se ao mesmo jogo. Quando aquele que está no terreno de jogo é homem sujeita-se a dichotes mais ordinários.

Como se percebe, o povo português é especialista em Finanças Públicas e em regulação da Banca, mas não se fica por aí a sua extensa sabedoria. No fim de semana seguinte (ou caso exista um feriado podia também ser), seria a vez da Justiça. Sócrates, Ricardo Salgado e mesmo o juiz Rangel dariam casa cheia. E não poderíamos esquecer as – chamemos-lhe assim – competições europeias. Uma noite com Durão Barroso à luz das potentes torres de iluminação, ou com Carlos Moedas ou Juncker ou Dijsselbloem, para não falar nesse verdadeiro Bayern de Munique que seria Angela Merkel, faria as delícias do povo. E far-lhes-ia bem.

Porque reparem. O povo não quer solucionar os problemas. Quer insultar que entende que é responsável por eles, ou de forma mais melíflua, insultar alguém de modo a que o verdadeiro responsável não seja insultado. Dirão que é populismo – e têm toda a razão – mas têm de viver com isto.

Eu, por mim, tiro bilhete para o fim de semana José Soeiro, Carlos Abreu Amorim, João Galamba, Miguel Tiago e Nuno Magalhães. É uma equipa de grande peso. E poder insultá-los a plenos pulmões, embora não resolva nada faz-me esquecer os buracos. O do BPN que já vai quase num Ministério da Saúde; o do BES; o da Caixa e… ah! O da avenida de Ceuta que fez com que levasse uma seca de quase uma hora à espera de uma pessoa metida na fila que se formou.

Vamos a isto?