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Expresso

Uma solução para Carlos Costa

Esta coluna é verdadeiramente ladina e, apesar de no estrangeiro com tarifas de roaming proibitivas, descobriu, ao passear por Frankfurt uma solução para esse enorme problema chamado Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal de quem Catarina Martins sugeriu a demissão por estar morta por pedir a demissão de um Costa qualquer

Tudo começou porque na Confederação Helvética, e até no Principado do Liechtenstein, as tarifas de roaming são muito caras. Há, por isso, que passar para outros países limítrofes a fim de podermos continuar os negócios e ócios que em Portugal temos por costume. Dirigimo-nos à Áustria e depois à Alemanha. E já que estávamos no país de Merkel decidimos dar um pulo a Francoforte (nome antigo, em português de Frankfurt), onde a ideia nos surgiu. Valeram bem a pena aqueles 500 quilómetros feitos de um fôlego, porque assim resolvemos um tremendo problema da Pátria.

Andávamos nas margens do rio Meno, na Karmelitergasse, muito perto do Banco Central Europeu, quando, de relance, e ainda que de costas, vimos a efígie inconfundível de um português de quem andamos pouco lembrados. Quem era ele? Nem mais nem menos do que o vice-presidente do BCE, o dr. Victor Constâncio.

Nem tivemos tempo de lhe pedir opinião, mas pensando no trajeto daquele homem – o caso BPN com uma supervisão que, enfim, não vamos caracterizar – o facto de ter sido nomeado Governador do Banco de Portugal por um Governo PS, a indiscutível expertise em economia ou o que resta dela, tudo o colocava em paralelo com Costa, o Carlos. Também ele nomeado por um Governo PS; também ele como uma supervisão de um banco, o BES que não vamos caracterizar e também ele com bastante expertise em economia. Dito assim, tudo sobressai de modo simples.

O Dr. Costa, António quer ver-se livre do Dr. Costa, Carlos. Mas não pode, porque ele é inamovível. De que modo se faz mover um inamovível? Todos sabem, vá lá! Com uma proposta – que como dizia o Don Corleone - o outro não pode recusar. Ora isto é assim: o Dr. Constâncio, que já não é empecilho para ninguém porque já esteve ao fresco uns sete anos, reforma-se, ou vai para um lugar bastante honorífico; o Dr. Carlos Costa vai para o lugar do Dr. Constâncio. E agora digam-me: quem não fica feliz com solução tão equilibrada.

Assim sendo o Prof. Louçã pode ascender a Governador do BdP e se não for ele é outro, porque sobre regulação do Banco de Portugal a vida ensinou-nos três coisas:

  1. Tudo pode ir à falência, menos um banco que é sistémico;
  2. Tudo tem um declínio, menos um banco que está perfeito até estar a necessitar urgentemente de capital, que é necessário injetar (boa palavra, porque tem a ver com doença, mas também com certos vícios que envolvem drogas duras);
  3. Todo o dinheiro de que o banco necessita é lá colocado pelos contribuintes, caso contrário acontecem-lhe coisas terríveis, como ficarem sem dinheiro sem ser por causa de estarem a ajudar os bancos que o Governo depois vende em saldo.

E assim sendo resolve-se tudo. Ainda estive para gritar em plena Karmelitergasse o nome do Dr. Constâncio para lhe perguntar se ele estaria de acordo. Mas como sabem, na Alemanha ninguém grita na rua (salvo os fascistas) e pareceu-me mal quebrar aquele silêncio das margens do Meno. De qualquer modo, o Dr. Victor Constâncio que vá fazendo as malas. No BCE anseia-se pelo Dr. Costa, o Carlos, claro.