Siga-nos

Perfil

Expresso

Ai seu eu pudesse, vocês nem sabem o que dizia…

Coluna íntegra e, sobretudo, subordinada ao mais elevado espírito patriótico que derrama do professor Marcelo para o doutor Costa e de ambos para o resto do país, jamais poderia colocar em causa as recomendações, orientações e ordens de um ou de outro. Por isso – e só por isso – se cala quanto ao que sabe sobre aquele caso que ambos recomendaram que não se falasse a partir de segunda-feira passada

Podíamos mostrar todos os SMS. Não só os de Centeno para Domingues, como os de Domingues para Centeno e ainda os de Costa para Centeno, de Mourinho Félix para Costa, de Costa para Marcelo, de Marcelo para Marques Mendes, de Marques Mendes para Marcelo, de Marcelo para Costa e por aí fora, num corrupio de mensagens que nos deixariam tontos (pelo menos deixaram tontos a maioria dos intervenientes).

E, além dos SMS teríamos ainda os mails. Guardo aqui ao meu lado um monte de três metros (dois Marques Mendes) de mensagens eletrónicas trocadas entre todos os já referidos e ainda o Governador do Banco de Portugal (sim, não está isento) e ainda Pierre Moscovici (tem que se lhe diga), Jeroen Dijsselbloem (há casos que não lhe podem passar ao lado) e Mario Draghi (que é, afinal, o dono disto tudo) os quais, publicados, fariam um autêntico abalo de terra, ou pelo menos um deslizamento de terras daqueles capazes de soterrar o ego de Cavaco e Sócrates juntos.

Escutas telefónicas são aos montes. Incluindo aquelas em que os participantes se enganam e falam com Carlos Costa pensando estar a falar com António Costa e só dão por isso quando reparam que o número do PIB está certo até ao cêntimo. Ou as escutas que envolveram Centeno com a linha SOS Voz Amiga perguntando quais as consequências de um eventual suicídio político nesta altura e a conversa que Marcelo trocou com ele próprio – com um telemóvel em cada orelha – simulando uma exigência de demissão de Centeno feita a Costa, enquanto Costa fingia que não percebia e se ria com aquele ar de quem tanto lhe faz o que digam sobre ele, à volta dele, ou nas costas dele.

Tudo isto disponível para publicar às postas, às fatias, em fascículos ou número especial desta coluna. Mas… veio o Marcelo e o Costa e pediram que não se falasse mais do assunto, razão porque, atilado, obediente e sempre disposto a colaborar com os fortes, nos vimos na obrigação moral de silenciar tudo! Tudo!

No entanto, caso as nossas mais elevadas figuras da Nação precisem de saber o que se passou sobre aquele assunto de que nos vimos impedidos de referir (e cujo último nome é Depósitos) estamos à disposição deles e do país para explicar tudo. E dizer que, ao contrário do que Centeno insinuou não foi um mero erro de perceção mútuo, mas sim uma confusão do caraças cujo culpado está muito bem definido: tudo isto nasceu por culpa de um senhor que é porteiro da garagem do um enorme edifício ali ao Campo Pequeno, em Lisboa. E mais não posso dizer. Cumprirei até à morte as exigências do nosso Presidente e do nosso primeiro-ministro!

A Bem da Nação, Viva Portugal!