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Expresso

Vai-se a votos e ganha o Trump

Coluna sempre arguta e pouco dada a contradições no seio do povo e no meio das massas antifascistas, e mesmo do conjunto de todos os portugueses honrados, como teorizou em plena noite fascista o PCP (antes de ter apoiado a geringonça), verificámos que os nossos partidos têm grande dificuldade em se entender mesmo naquilo que estão de acordo. E isso é um mau sinal. Ou pelo menos uma borbulha estranha

Reúnem-se os senhores deputados da Nação para condenar Donald John Trump, também conhecido por Trump, devido à ação e perturbação que causou nos primeiros 11 dias como presidente dos Estados Unidos da América.

Vem o PCP e rebeubeubéu faz uma condenação antifascista, sim senhor, mas com demasiados anti-imperialismos à mistura e coisas que não são próprias do Parlamento português, aproveitando para, um pouco de contrabando, condenar também a Europa. O que o PSD e o CDS não podiam aprovar e o PS não podia mais do que se abster.

Vem o CDS e rebeubeubéu diz que as relações Portugal-EUA são magníficas e que não deve haver divisões entre os EUA e a Europa. Condena apenas, portanto, a política de imigração. Ora para o PSD chegava, para o PS ficava a meio caminho e para o BE e o PCP era manifestamente pouco.

O Bloco de Esquerda também chega e rebeubeubéu queria condenar tudo. Tudo o que Trump fez, desde as medidas que tomou às laranjas que comeu e o que mais venha. O caso é que esta condenação era boa para o PCP, excessiva para o PS e inaceitável para o CDS e PSD.

Já o PS rebeubeubéu, centra toda a condenação na política de imigração, mormente na proibição de entradas por nacionalidades. Por qualquer razão o BE e o PCP concordaram, geringonçalmente, com a proposta, mas os partidos da velha caranguejola amuaram e não votaram.

Por último, o PSD rebeubeubéu, condena a imigração, mas sorrateiramente mete o reforço da NATO como objetivo. O PS absteve-se, o BE e o PCP votaram contra e o CDS a favor.

No final, pode dizer-se que alguns votos anti-Trump foram aprovados e outros não. É triste e não está conforme o sentir português. Sobretudo a quase unanimidade que se sente no repúdio pela política do dito. Só dois deputados votaram as moções todas (ou por inércia ou por pensarem, e bem, que em tempo de guerra não se limpam armas) – Helena Roseta e Pedro Bacelar de Vasconcelos, ambos da bancada do PS.

Agora, o meu ponto é o seguinte. Se o Trump tivesse um punhado de deputados em Portugal que fosse a favor dele, ganhava as votações todas. Porque nenhuma condenação das aprovadas foram esmagadoras.

E é por isto que este país não progride. Nem para se irritar serve. Têm ali um tipo de que ninguém gosta e vai-se a ver nem se conseguem pôr de acordo para aquilo em que não concordam.