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Expresso

O segundo aniversário de Costa no Governo

Coluna sem igual, precursora do bem e preventiva do mal (se tomada com moderação), sabe como comemorou António Costa, o nosso fofíssimo e sorridente primeiro-ministro, o seu segundo aniversário no Governo. Como? Perguntais vós, ignaros e desconhecedores dos meandros da política. Ora, ora, é que Costa antes de ser já o era!

António começou a negociar em nome de Portugal em novembro de 2014. Pois se já todos – e por todos refiro-me à imprensa, à intelectualidade, aos investigadores e cientistas políticos, ao Dr. Marques Mendes e a esse grande portento, entretanto perdido para a Presidência da República (que é como Nelson Semedo jogar no Belenenses), que é o Professor, o Marcelo – se todos já sabiam que ele ia ser primeiro-ministro, só não sabiam quando, foi natural deixá-lo participar numas reuniões, mormente em Bruxelas.

E escusam de vir com formalismos e minudências legais! O que é mais importante? Essas miudezas, essas coisas que o Dr. Catroga citou, ou o facto de Portugal poder andar para a frente e estar completamente descontraído? Tanto como um bêbado à beira do precipício, ou de um tipo com disfunção cognitiva temporária no Parlamento?

É claro que o mais importante não se discute. E o mais importante não é nada do que estão a pensar, até porque não sabem pensar, parecem apoiantes do Trump ou do Governo de Passos Coelho! O mais importante é ex-aequo a carreira política do Dr. Costa, a fiabilidade das previsões do Dr. Marques Mendes e a atitude afetuosa do prof. Marcelo. Todas estas visões e mundividências diferentes se unem para derrotar o diabo e o seu representante da terra, o carrancudo Passos.

Por isso, hoje mesmo comemoramos o segundo aniversário de António Costa no Governo e arredores, tal como poderemos em breve celebrar o primeiro aniversário do Dr. Domingues na Caixa e suas reuniões, onde ia discutir o futuro da dita, sem que estivesse presente o então Presidente da instituição que, como todos sabemos, é um verbo-de-encher, assim tipo o Dr. Centeno que falta às reuniões onde se decidem as coisas importantes para o seu setor, como aconteceu quando o Governo decidiu, com a solenidade que pode ter um Governo, que ninguém ficaria isento de mostrar os rendimentos ao Tribunal Constitucional. A decisão foi tão solene que o próprio primeiro-ministro mostrou logo os seus rendimentos e, continuando na linha de toda uma plêiade (bonita palavra) de antigos primeiros-ministros, dedicou-se a demonstrar os rendimentos dos portugueses, sobretudo a sua falta para pagar os IRS e IVA necessários à prossecução de uma política social a favor dos portugueses.

Dirão que tudo isto é um pouco confuso. Mas não é. O Dr. Costa entende-me bem e sabe que isto tem uma chave de leitura (se lerem de quatro em quatro palavras) que diz o seguinte: há uma conspiração chinesa para comprar Portugal e nós sabemos. Como as palavras têm de ser lidas ao contrário para terem a fonética mandarim é uma chave complexa, mas com trabalho qualquer um pode decifrá-la.

Resta-me dizer que ao fim de dois anos de manobras não posso afirmar se o Dr. Costa faz parte da conspiração ou se, pelo contrário, é objeto dela. Mas penso que do Dr. Costa se pode dizer o que os espanhóis dizem dos galegos, não sendo ele uma coisa nem outra: quando está no patamar de umas escadas, ninguém sabe se está a subir ou a descer. Já o professor Marcelo é sempre a subir, assim como o Dr. Marques Mendes não pode senão crescer.

E, entretanto, onde íamos? Ah, já sei, nas comemorações do segundo aniversário de António Costa. Mas isso, agora, já não interessa nada!