Siga-nos

Perfil

Expresso

O que disse a Rainha a Marcelo

Magnífica e real coluna esta que sabe o que as outras não sabem, ou sabendo não divulgam, porque já se sabe, os mecanismos da censura e autocensura são mais do que muitos, mas isso já são outros quinhentos. Aqui, mais livres do que um pássaro ao qual abriram a gaiola revelamos tudo, mesmo o que a televisão omite. E por isso, não só sabemos o que o nosso Santo Presidente disse àquela Santa Velhinha que é a Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, como sabemos o que ela disse a Marcelo, depois de fechadas as luzes, desligados os microfones e fechadas as câmaras de televisão. Aqui vai:

Ó Marcelo, por amor de Deus (na verdade seria pela Salvação, porque ela afirmou by God sake), o senhor pode ser Presidente da República Portuguesa e isso tudo, mas não nos volte a lembrar a idade. Sabe que o nosso avô, Jorge V, reconheceu a República no vosso país, depois de barbaramente terem assassinado o ainda nosso primo D. Carlos I, que era neto do Fernando de Saxe-Coburgo Gota, tal como nós somos trineta do Alberto de Saxe-Coburgo Gota, que era sobrinho do Fernando, que por isso era nosso tio-tetravô.

- Mas eu – tentou interromper o Presidente – eu até sou mon…

- Você cala-se! Agora ouve, que nós também o ouvimos educadamente, apenas repetindo, como é do protocolo, a sua última frase, como bem notou o único português que nos entende, o Michael Stephen Cardoso. Você pode ser Presidente dessa República que o nosso avô reconheceu, mas não tem o direito de vir para aqui falar-nos como nos falou, entende?

- Majestade, eu…

- Nem majestade, nem meia majestade. O senhor não nos impressiona, ou o que pensa? É da mesma idade que o nosso filho Carlos e nós também não o deixamos à redea solta, a fazer dislates. Por isso, volto a dizer-lhe – Jamais! Até lho dizemos em francês, que era a língua da nossa corte – Jamé! Veja se compreende o nosso fardo. Se nós tivéssemos de aturar o presidente do Burkina Faso ou o da Costa Rica ou o do Bangladesh a fazer o que o senhor fez, não tínhamos tempo nem para tomar o chá das cinco, e o senhor deve saber a importância ritual que tem para nós o chá das cinco.

- Minha Senhora… eu sou todo desc…

- O senhor, agora, está de saída. Não é todo nada! O senhor aprendeu esta lição de alguém que tem idade para ser sua mãe sem precisar que lhe recordem. O senhor não faça isto às pessoas da nossa dimensão, nem sequer a seres inferiores, como a chancelerina da Alemanha ou o Presidente da França. Conversas dessas só se têm com o Presidente de Itália e de países pequenos, ou então com o Papa, que é argentino, percebeu?

- Eu… só falei com... Sua Majestade, porque diz nós?

- Ide e deixai-nos, ficando a saber que este nós é majestático. A conversa fica só entre nós os dois e o Comendador Marques de Correia a quem vou pedir que publique isto lá na sua República. Have a nice day.

E o Marcelo voltou e veio falar da Caixa e do PIB e das coisas que ele sabe.