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Expresso

Num opíparo almoço, as saudades

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Num opíparo almoço, onde se comeu e bebeu do melhor, incluindo zebra, estiveram presentes todos os quadrantes políticos. Só na mesa onde esta coluna se amesendou estavam uns três quadrantes, seis pontos cardeais e dois cónegos. Atento, como sempre, descortinei ao fundo a silhueta de António Costa que se regalava com a comida, depois dos dias de fome que deve ter sentido na China. Mas dele, nem uma ‘gaffe’, nem uma palavra, a conversa foi dominada por aquele sentimento tão português… a saudade!

Ana Avoila, como sabem, voltou ao ataque esta semana, a mesma em que finalmente foi eleito o presidente do Conselho Económico e Social, o Dr. Correia de Campos, homem de grande gabarito. E este regresso de Avoila, embora possa parecer indiferente a muitas pessoas não o foi de todo para alguns circunstantes. Por exemplo, um membro do Governo anterior (sim, que elementos do Governo anterior continuam a ter amigos comuns com membros deste Governo que, em vez de fazerem o que diz Mariana Mortágua, não perdem a vergonha), um membro do anterior Governo, dizia, disse-me com uma lágrima no canto do olho:

- As saudades que eu tenho de Arménio Carlos! Nunca mais o vi!.

E logo outro, que ouviu como que por acaso esta frase, disse:

- E eu do Dr. Mário Nogueira! Como eu gostava de o ouvir.

Era também do Governo anterior e estava visivelmente emocionado.

- Deve estar a dar aulas, alvitrou um dos convivas. Se calhar, voltou a trabalhar…

Entreolhámo-nos mas ninguém se atreveu a concordar ou a discordar de tal afirmação. Até que um mais afoito disse:

- A trabalhar? A trabalhar como? A dar aulas? Mas ele dá aulas de quê?

Foi então que as hipóteses começaram a circular. De Educação Física. Não, de Educação Cívica. Não, de Educação Visual. Não de Educação Tecnológica. Concordámos todos em que, de facto, não sabíamos o que fazia Mário Nogueira. Um homem que enquanto os ministros foram pessoas como David Justino, Maria de Lurdes Rodrigues, Isabel Alçada e Nuno Crato nunca se calava, mas agora se remetera ao silêncio.

- Não me digam – disse o ministro do anterior Governo já comovido – que está doente.

- Não! Não! – disseram vários em coro. O Arménio também desapareceu, bem como vários outros, como o Bettencourt Picanço e assim. Essa gente deve estar a fazer um Congresso clandestino!

- Não, nada disso. Apenas apoiam o Governo e sabem que têm até ao fim da discussão na especialidade para discutirem as normas que lhes interessam no orçamento, não é assim, senhor primeiro-ministro?

E foi então que Costa, com o seu sorriso enigmático e ronronante de gato Cheshire, após deglutir o seu queijo L’Abbaye de Citeaux regado por um excelente Santener 1er Cru, Aubert de Villainem Passetemps 2012, respondeu:

- Não sei do que estavam a falar. Estava distraído.

- Era de Arménio Carlos e Mário Nogueira.

- Ah, disse o chefe do Governo. Acho que a última vez que falei com eles também estava distraído.