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Expresso

Discriminados de todo o mundo, uni-vos

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Esta coluna é solidária, é de esquerda, é revolucionária e por isso não pode admitir, nunca por nunca, que um pobre português seja discriminado por ir para uma instituição bancária. Esses franceses, esses alemães, esses tipos de Bruxelas, que são todos comandados pelo grande capital hão de aprender que com os portugueses não se brinca. Quando discriminam um, é como se discriminassem todos

Assim, como líder do MCDB (Movimento Contra a Discriminação do Barroso) sublinho que ele disse – e bem! – que só é discriminado por ser português. Ora eu exijo ser discriminado do mesmo modo! Mais! Exijo que os meus compatriotas sejam todos discriminados da forma que foi Dr. Barroso. Eu exijo que não nos ponham a passadeira vermelha sempre que vamos a Bruxelas ao Berlaymont! Eu exijo que desconfiem de nós, dos nossos atos, das nossas ações e das nossas omissões! Eu quero que nos interroguem, que saibam o que andámos a fazer. E, claro, para não ficar atrás, exijo também, para mim e para todos os portugueses que são assim discriminados, ser nomeado presidente não executivo da delegação da Goldman Sachs na Europa, para tratar dos assuntos do Brexit.

E não quero mas, nem meio mas! É assim como eu digo e acabou-se! Aliás, eu apenas estou a deixar esta reivindicação de modo informal neste espaço que partilho com os meus amigos e com os meus inimigos, porque o anúncio formal será feito pelo dirigente do PCP João Oliveira, só para lixar a Mariana Mortágua. Que eu sei muito bem que ela se queria antecipar, mas eu também não sou daqueles que ando a juntar com o bico para outros espalharem com as patas…

Esta reivindicação formal e igualitária de sermos todos igualmente mal tratados, tal qual o Barroso foi, resolve e desagrava a afronta a que o nosso compatriota foi submetido mas tem outras virtudes não menos destacáveis.

Por exemplo, o Imposto Mortágua já não é necessário; não há, igualmente, precisão de se fazer mais estudos sobre a igualdade e o Governo bem como a Oposição podem saudar o enorme desenvolvimento que o país conhecerá. Estou mesmo convicto que se o tratamento discriminatório dado a Barroso se alargar a todos, poderemos ter superavit, pagar a dívida aos credores e ainda regar tudo com champanhe, ou pelo menos um espumante nacional daqueles dos melhores.

A ideia aqui fica. Não deixaremos ninguém para trás! Se um português é discriminado estamos com ele, prontos a ser discriminados de igual forma, de igual modo!

Somos todos por um, somos um por todos e andamos todos à procura do mesmo! Ah, valentes!