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Expresso

Estas proibições de fumar são cobardolas!

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Coluna sempre à espreita das contradições do poder (desde que o poder está na oposição, sempre a ver as contradições da oposição), não pôde deixar de ver as timoratas (atenção, quer dizer tímidas ou cobardes e não de Timor) alterações à lei do tabaco. Proibir fumar debaixo das janelas e à porta de escolas e hospitais? Ridículo. De homem mesmo é proibir fumar nos locais onde é permitido fumar!

Um fumador põe-se à porta do hospital e puxa a pirisca. Pode ser um médico ou um enfermeiro. Pode, até, ser um pneumologista, especialista em pulmões. Não pode! Não pode porquê? Porque faz mal! Quem disse que faz mal? O pneumologista que está a fumar e as enfermeiras que lhe dão lume depois de acenderem os seus cigarros. Reparem: eles dizem que faz mal, mas podem puxar a sua passa. Da mesma forma que eu já apanhei um médico a beber um copo de tinto depois de proibir várias pessoas de beber.

O que significa isto? Que os médicos não percebem nada do assunto e que é o Estado quem deve tomar conta de nós. O Estado e o Diretor-Geral da Saúde. Um é o pai e o outro também, porque isso agora é legal.

Assim sendo, devem proteger-nos não só de começarmos a fumar, como do fumo dos outros e do mau exemplo dos outros. Ora isto passa por colocar fotografias que seriam retiradas por qualquer editor de jornal das páginas à sua responsabilidade, de tal modo ferem as suscetibilidades mais graníticas; por proibir fumar dentro de recintos fechados; por proibir os cigarros eletrónicos porque uma pessoa vê um tipo a chupar por um canudo eletrónico e dá-lhe logo vontade de fumar uma pen com entrada USB ou um cabo de alimentação da Apple, e finalmente, por concentrar todos os fumadores nuns aquários onde a coloração dos vidros confere às pessoas uma cara doente, amarelada e tristonha.

Mas devemos ir adiante. Proponho que doravante seja proibido fumar nos espaços abertos. Não é cá a mariquice das portas de hospitais e de escolas. É em todos os espaços abertos. Quem quiser fumar deve ir para um espaço fechado, já cheio de fumo, com pouca exaustão e acotovelar-se enquanto tira do bolso (ou da bolsa) o maço de tabaco. O espaço fechado não deve ter vidros transparentes, mas apenas a indicação “Perigo – Fumadores”.

E onde devem ser esses espaços? Não perto das escolas, não perto dos hospitais, nem dos centros de Saúde, nem dos tribunais, nem dos organismos do Estado. Devem ser longe da civilização e, se acaso forem avistados de uma casa, deve dar logo direito a uma baixa do IMI. Os fumadores, como se sabe, acabam a vida a morrer, por isso são futuros cadáveres, ao contrário das pessoas saudáveis, que só morrem por delicadeza, a fim de deixar espaço aos mais novos.

A minha sugestão é que os fumódromos sejam no cimo de um montes e a eles só se possa chegar a pé (para tirar logo a vontade ao tabagista) ou de carro elétrico, para não poluir mais. O problema é a autonomia dos carros elétricos, que é pouca, e o facto de nunca nesses antros dever haver eletricidade, para que se não fume depois do anoitecer, que é perigoso e pode causar incêndios. Aliás, todos os incêndios são causados por fumadores, como se sabe.

Assim sim, teríamos uma grande política de Saúde. Tão boa que podíamos proibir nos centros das cidades os carros com matrículas anteriores a 2012, por causa da poluição (e para embirrar um bocado), e a comida com excesso de sal, excesso de gordura, excesso de proteínas, excesso de glúten, excesso de hidratos de carbono, enfim excesso de comida. Além de toda aquela que advém de organismos geneticamente modificados.

Passou, meus caros, o tempo em que a General Motors, a Philip Morris e a Monsanto mandavam nisto tudo. Chegou a hora da vingança! Havemos de morrer cheios de saúde ou cheios de fome, mas vocês, ó multinacionais perversas, vêm connosco para a cova!