Siga-nos

Perfil

Expresso

O crime da irmã Catarina

  • 333

Esta coluna, sempre velando pelos interesses nacionais e até pelo que se passa noutros recônditos lugares onde o longo braço da lei custa a chegar, ficou muito impressionada com a confissão de Catarina acerca do seu arrependimento em participar na ‘geringonça’. Um arrependimento que ela compreende e combate. Foi dentro deste espírito que achei a entrevista de Catarina Martins (que não li) muito semelhante à genial obra de Eça de Queirós (que li) “O Crime do Padre Amaro”. Só isso, por razões mentais e de consciência chamo crime da irmã Catarina ao que ela faz

Não contente com esta feliz coincidência entre o genial Eça e a fugaz arrependida Catarina (convenhamos que Madalena era um nome que vinha mais a calhar) consegui ter acesso, através de meios espúrios cedidos por aqueles senhores que afirmam tal coisa não existir em Portugal, à confissão completa de líder do Bloco de Esquerda.

Foi na Rua da Palma, aquela mesma rua do fado “Ai Mouraria” – e só isto é um programa. Catarina entrou, sentou-se num banquinho atrás de uma enorme fotografia de Che Guevara e disse para alguém que estaria do outro lado:

- Camarada Louçã, eu arrependida me confesso!

- Calma, camarada Catarina, qual de nós, tirando eu e o camarada Nicolás Maduro (que somos cabeças à parte) nunca se arrependeu? E ele é por inconsciência… Mas adiante: Que te leva a tal sentimento?

- O acordo com o PS. Todos os dias pensam que eles são uns reformistas do caraças e nós é que somos obrigados a ter as ideias todas…

- Isso pode ser verdade, camarada, mas não será isso bom? Além de que estás a ser injusta… O camarada João Galamba também tem algumas ideias…

- E ele não é nosso?

- Não! É do PS!

- A sério?

- A sério camarada. Estás mais confortada?

- Um pouco, camarada Louçã.

- Porquê?

- Porque se o camarada Galamba é PS todos nós podíamos ser PS!

- E não é o que vamos fazer?

- E os reacionários que ainda por lá andam? Não me vais dizer que queres ser camarada do Eurico Brilhante Dias ou daquele choninhas que nem com a GALP foi ao futebol?

- Nada disso, camarada. Se tomarmos o poder, e nos tornarmos no maior partido, como disse a Camarada Marisa Matias, não achas que só podemos sê-lo tomando o Partido Socialista por dentro?

- Mas isso é entrismo, como faziam os trotsquistas da IV Internacional…

- Sou, aviso, um pouco sensível a esse tema.

- Mas é isso que vamos fazer?

- Ora, ora, a IV Internacional acabou, já não conta. Isto agora é tudo diferente…

- Sim mas os métodos podem ser iguais, ou não?

- Arrepende-te lá e não faças mais perguntas…

- Ok. Que achas devo fazer para concretizar a minha autocrítica?

- A pena é leve, camarada Catarina. Penso que dois discursos meus, daqueles feitos por volta do ano 2000 contra o PS e o Guterres devem chegar.

- Vês? É isso que me custa! Sempre dissemos tão mal deles e agora aliamo-nos para efeitos do Governo que nem sequer é grande coisa…

- É a política, camarada. Se fôssemos nós a mandar, nada disto era assim.

- O Governo era melhor?

- Isso não sei, mas não havia pessoas a dizer em público que se arrependiam dos acordos. Vai lá ler o que te mandei!

E ela foi.