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Expresso

Um, dois, três… és uma besta!

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Retemperado por umas curtas férias de várias semanas, volta esta coluna a dar importância àquilo que de mais importante se passou no mundo: a batalha de Aleppo… estava a gozar, refiro-me aos Jogos Olímpicos de Verão, realizados, e que hoje terminam, no Rio de Janeiro Continua Lindo (nome completo da cidade que congrega os bairros Alô, Alô Teresinha e Aquele Abraço, além da Mangueira, Sambódromo, Copacabana, Ipanema, Garota, Jacarepaguá, Estácio, Leblon e ilha do Governador)

Os Jogos Olímpicos servem, como sabem os mais atentos, para nos deixar em pulgas com um combate de Taekwondo, desporto que não conhecíamos e teríamos passado bem a vida sem conhecer; para saber que um tipo que cai de costas leva com um ippon e perde logo o combate de judo que, se não fosse para dar uma medalha à Telma, ninguém via; para nos ocuparmos dos efeitos perniciosos que uma bola de ping pong, ou ténis de mesa, pode descrever; para nos atrapalharmos com as algas do K1 e K2 (felizmente não há K3, mas há K4), além do C1 e isso tudo; sem contar com a questão da Vela, que tem radial, sem ser radial, e a classe 400; mais o problema dos saltos na equitação e o tiro a 10 metros. Isto é, para nos entusiasmarmos com coisas que não nos tirariam um segundo de atenção.

Depois, há as coisas importantes: o futebol, mas levámos quatro secos da Alemanha; e o atletismo, onde Nelson Évora foi o melhor Évora, o melhor português, o melhor europeu e o melhor salvo aqueles cinco que ficaram à frente, a Patrícia Mamona que também ficou em sexto e mais uma série de tipos do atletismo e do triatlo que fizeram o que puderam, além dos do ciclismo, como o Nelson Oliveira, que ficou em sétimo ou o tipo do Triatlo, João Pereira, que ficou em quinto.

Como se sabe, nos Jogos Olímpicos de Verão e, em particular no Rio, ficar em terceiro é uma glória, como a que Telma alcançou, mas ficar em quarto é digno de uma besta quadrada que andou para aqui a chatear o Comité Olímpico e os portugueses, fazendo-os interessar por modalidades que nem sequer interessam e nas quais nada ganham salvo, volta e meia, um diploma que ninguém pode pôr ao peito.

Por isso mesmo, o lema dos Jogos, em vez de Citius, Altius, Fortius, devia ser Um, Dois, Três, vai para casa ó melga!

Como é óbvio, vão seguir-se as lamentações, as falhas de preparação e as deficiências de treino. Não tenho dúvidas de que é por coisas destas que um português de cepa fica 50 segundos atrás do campeão de Triatlo ou que um contrarrelogista fica a 59 segundos da medalha, depois de pedalar por apenas 52 Km. É falta de empenho, é o que é! Para a próxima, que há de ser em Tóquio, não pode ser assim.

E não se esqueçam que em 2020 o Marcelo ainda cá está com as condecorações, ok?