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Expresso

Mas não está ninguém de acordo com o alemão?

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A Coluna de Alterne sempre vigilante reparou que o alemão (não interessa muito qual, pois na retórica popular são todos parecidos, exceto a Merkel que, por ser alemã, não é alemão), o alemão, dizia eu, referiu que Portugal é o único país que o preocupa. Klaus Regling, o presidente do Mecanismo de Estabilidade Europeu, que pensamos ser um aileron bastante grande, disse isto mesmo e toda a gente ficou indignada. Toda, menos eu

O Governo, a geringonça, o PSD, o CDS e o neo-Pacheco Pereira que descobriu existir um neo-PSD que em vez de defender o liberalismo defende o neo-liberalismo, ficaram todos indignados (embora eles fiquem tantas vezes indignados que já devem ter pouca dignidade para perder). Eles já vinham indignados das declarações de Schäuble, que também é alemão, e das de Dombrovski que não sei de onde é (nem me interessa muito). Mas o que eu não entendo é porque nos zangamos com um senhor que só está preocupado com Portugal!

Eu próprio, o país que mais me preocupa é Portugal! Quero lá saber da Alemanha ou do País de Gales! Preocupa-me um pouco a Islândia, que esta noite ainda pode arrumar com a França e – vá lá – sinto uma preocupação média com a saúde de Usain Bolt que se lesionou antes dos Jogos Olímpicos, correndo o risco de não poder fazer aqueles 100 metros espetaculares. De resto, e para ser sincero, o único país que me preocupa é Portugal.

Podem dizer que o Regling não se estava a referir ao Euro, mas estava. Porque o Mecanismo de Estabilidade é do Euro. Podem afirmar que ele se referia à economia portuguesa quando afirmou que está tudo a andar para trás, mas não é assim que a nossa seleção tem jogado? Aliás, a nossa seleção é, claramente, inspirada na geringonça governamental. É uma coisa que joga mal, joga devagar, que não faz grandes golos, mas que lá vai andando aos tombos, a evitar os grandes países e sempre em festa.

Se Fernando Santos se inspirou em António Costa ou vice-versa, não sei dizer. Mas não há dúvida que há uma neo-esquerda com o Governo e uma neo-seleção com o Santos. A neo-esquerda faz uma neo-política, que consiste em gastar mais, receber menos e ter as contas certas; e a neo-seleção pratica um neo-futebol que consiste em jogar mal e ganhar.

Reparem que dantes nós perdíamos com vitórias morais e agora ganhamos com derrotas morais. Penso que é por isso que Costa diz que haver sanções seria imoral. É porque o seu Governo pensa ganhar com uma derrota moral. Isso significa que vai haver sanções? Eu não sei, mas o porco alemão (refiro-me àquele porco que adivinha os resultados do futebol) deve saber.

Enfim, vai para aqui uma enorme trapalhada. Tão grande que parece que o Brexit foi feito cá...

Isto é esperar para ver, mas tal como diz o Regling que passou a ser o meu herói, logo a seguir ao Ronaldo que também anda a jogar menos do que sabe, se a gente não se preocupar com Portugal, vai preocupar-se com o quê?