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Expresso

Vamos embora com eles

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Esta coluna, sempre bastante atenta a tudo, reparou que todas as coisas boas que aconteceram em Portugal foram, a acreditar no discurso da cidadã Catarina Martins, obra do Bloco de Esquerda. Só isso me deu a ideia, fabulosa, mas infelizmente irrealizável neste momento, de que deveríamos ter aderido ao Bloco de Esquerda em vez de aderir à União Europeia. Ao contrário, todas as coisas más que nos aconteceram se devem à Europa

Já não falo da medida do jaquinzinho nem da problemática da colher de pau. Refiro-me, igualmente, à questão financeira. Ao fim e ao cabo, os tipos emprestam-nos dinheiro e depois querem que a gente pague. Ora isso os ingleses também faziam ou os americanos; escusávamos de ter aquela malta toda no Parlamento Europeu a ganhar uma pipa de massa.

Deste modo, acho que a nossa mais velha aliança, a Inglaterra, não pode ir a lado nenhum sem nós. Se quer divorciar-se da Alemanha e da França ou dos ranhosos dos húngaros, que o faça, mas de nós não se livra. Nós devemos ser, para a Inglaterra, como aquelas mulheres ciumentas que não dão o divórcio por nada neste mundo. A menos, claro, que eles nos paguem uma pensão do caraças.

Ainda não pensei bem que compensação deveríamos exigir para eles nos deixarem, mas pelo menos a casa de família (que obviamente é o palácio de Buckingham) devia passar a ser nosso. Além disso, os direitos de autor dos The Beatles e mais umas coisas de valor que eles têm para lá devíamos exigir.

Mas isto só no caso extremo de haver separação. A gente devia era sair da Europa, não pagar nada à Alemanha e ficar com a Inglaterra, muito unidinhos, como estamos desde o século XIV. No caso de algumas partes de Portugal (sei lá, tipo os Açores ou assim) não quererem abandonar a Europa por razões que são lá deles, podemos abdicar dessas partes e entregá-las à Escócia onde também têm esse tipo de dúvidas.

De resto, nós e os ingleses, unidos pelo vinho do Porto e pelo Algarve, juntos pelo atlantismo aos Estados Unidos da América e pela espiritualidade do desprezo aos espanhóis (eles por causa de Gibraltar, nós por causa de eles serem nossos vizinhos) manteremos o casamento com séculos que vem dos nossos D. Filipa de Lencastre e D. João I.

Depois, quando a Europa, sem nós, ruir – porque é isso que vai acontecer – faremos o que recomenda o PCP: erigiremos uma nova Europa sobre as ruínas desta. Uma nova Europa solidária, com o homem novo, a mulher nova, os/as LGBTI novos e tudo isso que é necessário para termos uma verdadeira democracia, um Sol na terra e um paraíso nos campos verdejantes do nosso velho continente, onde eu me possa passear com a mulher nova…

Por isso, cara Inglaterra, não vais a lado nenhum sem nós, porque não somos do tipo de abandonar casamentos antigos. Claro que lhe podemos dar uma facada ou outra, mas divórcios nunca!