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Expresso

Todos ao Rossio! Não à sanção!

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Esta coluna, mais sublime que o céu de junho, compreende, adere e manifesta-se no mesmo sentido em que todos os portugueses se movem, sendo eles de direita ou esquerda, do Sporting, do Benfica, do Porto ou do Marcelo; do Norte ou do Sul! Aqui somos contra a sanção e ponto! Seríamos, até, contra a Dalila caso ela se metesse connosco, mas acontece que a doce Dalila é mais uma a estar ao nosso lado nesta luta

Temos duas frentes abertas na Europa: a primeira é a do campeonato europeu de futebol que teremos de ganhar ou, pelo menos, não perder - o que não é o mesmo, mas é igual; a segunda é a frente anti-sanções ao nosso bem-amado país. É nesta que me quero centrar.

Como sabeis, duas moções – duas – foram aprovadas contra essa ameaça tenebrosa que paira sobre os nossos crânios como a espada do tipo que toda a gente cita e ninguém sabe quem é – Dâmocles! Uma das moções foi aprovada pela esquerda, incluindo o PS; a outra foi aprovada pela direita, incluindo o PS. Assim sendo, todos estamos de acordo, incluindo o PS.

Mas pensamos que devemos ir mais longe. Nós pensamos sempre que devemos ir mais longe até batermos com a cabeça na parede ou com o Dâmocles na espada, ou com qualquer outra coisa noutro sítio. E por isso propomos:

Uma grandiosa manifestação sob as palavras de ordem NEM MAIS UMA SÓ SANÇÃO A PORTUGAL! e NÃO, NÃO – NÃO À SANÇÃO

Confesso que a palavra de ordem foi inspirada, numa outra, antiga – nem mais um só soldado para as colónias. Mas isso deve-se ao facto de as sanções serem como as nossas ex-colónias: uma fonte de despesa e um desgaste moral. Por isso não vejo mal.

A ideia de grande manifestação foi inspirada na do 1º de Maio de 1974, a única data em que todos os portugueses eram a favor do 25 de Abril e de qualquer coisa que alguém berrasse.

Assim sendo, proponho que a cabeça da manifestação seja ocupada pela esquerda, incluindo o PS. São os que estão mais habituados a fazer manifs, logo após os sindicatos e os colégios privados. Além disso, a esquerda é a única formação que ainda tem megafones – essenciais a qualquer ação desta natureza – e que sabe dizer, com voz de comando: “Filas de 10, as palavras de ordem vêm da cabeça da manifestação!”.

Atrás iria a direita, incluindo o PS, que para não gritar a mesma palavra de ordem bélica e definitiva, podia optar por: Não, não – não à sanção!”.

Penso que deste modo ficaria claro em Bruxelas que somos contra toda e qualquer sanção, que achamos que o nosso destino pertence-nos e que o nosso dinheiro vem do BCE. No caso de nem assim Bruxelas se convencer, devemos fazer uma jornada nacional de amuo e uma greve qualquer.

Acho que o ponto ficou claro. Cabe agora às forças vivas organizarem-se!