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Expresso

O programa pessoal de reformas

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Enquanto o Governo tem um programa nacional de reformas, esta coluna, que é sempre atenta aos direitos e prerrogativas dos indivíduos e das pessoas e até daqueles que agora não se sabe bem onde se meterão, tipo animais sencientes, estabeleceu um programa em dez passos (mas não coelho) acessível a todos. Para saberem como proceder, basta enviarem-me 100 euros para a conta bancária

Com o programa pessoal de reformas, uma invenção já testada diversas vezes em vários países do mundo e em Portugal por vários bancos, do BPN ao BPP, passando pelo saco azul ou de outra cor qualquer do GES e pela célebre Dona Branca, toda a gente terá:

  1. Acesso a uma reforma condigna e descansada;
  2. Rendimentos suficientes para comer num bom restaurante três vezes por semana e num restaurante médio todos os dias;
  3. Dinheiro para fazer um daqueles cruzeiros cheios de velhinhos a tentar passar por jovens;
  4. Possibilidades de gozar férias no Algarve na época baixa, média e alta, levando, se possível os netos para um daqueles hotéis cheios de alemães e holandeses;
  5. Reduções consideráveis nos impostos através de um meticuloso plano de investimentos em produtos financeiros seguros;
  6. Direito a uma pequena propriedade rural, com possibilidade de se dedicar à plantação de macieiras, mas que pode ser trocada por seis viagens aos Açores com direito a ver as baleias;
  7. Enfermeira(o) 24/24 no caso de necessidade de acompanhamento;
  8. Adoção de filhos com carro e carta (incluindo motoristas da Uber) no caso de não guiarem ou já não estarem capazes de o fazer.
  9. Descontos nos medicamentos para doenças crónicas;
  10. Funeral gratuito e com um mínimo de 50 pessoas a assistir.

Perguntarão como pode um plano pessoal de reformas assegurar tantas coisas por um preço tão baixo como 100 euros enviados ao cronista. Pois eu respondo: tudo isto é verdade! Desde logo, uma pessoa ficará com essa possibilidade, que sou eu. Basta os 150 mil leitores desta coluna, mais aquele senhor que não lê mas comenta, mandarem o pecúlio para eu ficar com 15 milhões de euros, o que me assegura a reforma tal qual aqui descrita e ainda um pé de meia para filhos e netos. Depois, cada um de vós enviará a mesma carta para outras mil pessoas o que perfaz 100 mil euros para cada um. Podem dizer que não é suficiente para tudo o que prometo, mas é muito mais do que o Governo de António Costa propõe com o plano nacional de reformas.

Acresce que, como este plano não tem nada a ver com educação, não pode ser revertido pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues nem que ele se roa todo.

E pronto. Tudo o que tem a fazer é mandar a massa. O resto vem por si. Afinal, é assim que se anima a economia!