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Expresso

Marcelo e as 35 horas

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A pedido de Sua Excelência o senhor Presidente da República, professor doutor Marcelo Rebelo de Sousa, vem esta Coluna alternativa explicar o motivo e as razões de ser das dúvidas apresentadas por Sexa em relação à lei preclaramente proposta pelo não menos Sexa, o primeiro-ministro, Dr. António Costa

A primeira vez que falaram de 35 horas de trabalho a Sexa o Presidente, este riu-se bastante por achar uma coisa impossível.

- 35 horas de trabalho por dia? Mas este Governo da geringonça, pelo qual nutro o maior respeito, não sabe que o dia só tem 24 horas?

E dito isto riu-se mais ainda. Até que um assessor daqueles assessores que ele tem e que não servem para nada porque ele sabe sempre mais do que eles, lhe explicou que a ideia do Governo e dos sindicatos era que as 35 horas fossem por semana.

- Por semana! – Sua Excelência indignou-se. Mas isso dá sete horas por dia e nada ao fim de semana. Se eu, que durmo apenas quatro horas diárias, como todo o país sabe, adotasse esse regime, ficaria 13 horas por dia sem nada para fazer e ainda o fim de semana especado a olhar para o teto!

Mas é isto que os sindicatos pretendem e que o Governo está disposto a legislar, disseram a Sexa os tais assessores.

- Não pode ser! – Exclamou o Presidente – Mas que coisa querem eles? Imaginem que me levanto às sete da manhã, como é costume. Às nove começo a trabalhar; como uma sandes ao almoço e às 16:30 tenho o horário cumprido. Que raio farei nas 10 horas e meia que me sobram até à hora em que me deito, que é por volta das três da manhã? Se eu soubesse que isto era assim, continuava a fazer um programa com a Judite de Sousa, a dar aulas na Faculdade e a ler aquela montanha de livros que me enviavam semanalmente…

E depois de uma pausa, em que se concentrou profundamente, Sexa o Presidente disse:

- Vão lá explicar àquele irritantemente otimista do primeiro-ministro que eu tenho dúvidas sobre esta legislação e expliquem-lhe que é pessoal. Não sei para que querem as pessoas tantas horas livres – 17 por dia mais o fim de semana. Isso dá para comer, ir à missa e ler o ‘Guerra e Paz’. Já agora, e só para baralhar o Passos, digam-lhe que eu também tenho dúvidas sobre as barrigas de aluguer, nomeadamente sobre a necessidade de ter de existir um fiador – faço-me entender? – para uma locação dessa natureza.

E vendo que ainda eram seis da tarde de um sábado, Sexa pediu o ‘D. Quixote’ e ‘Os Lusíadas’ para ler até à hora de jantar.