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Isso da vigarice é tudo cá comigo

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Vários leitores, e até alguns analfabetos, se têm interrogado sobre a utilidade desta prestável Coluna de Alterne. Alguns não lhe encontram mérito, outros dizem que falta ao respeito a toda a gente; há ainda os que a consideram de extrema-direita e apoiante do Trump e os que dizem que é de extrema-esquerda e apoiante do Nicolas Maduro. Por último, a grande maioria não a lê. Em resumo: ninguém lhe encontra préstimo!

Lamento desiludir esta vasta maioria, talvez mais do que Cavaco Silva desiludiu o seu eleitorado ou que António Costa anda desiludido, mas a verdade é que esta Coluna tem uma enorme vantagem sobre todos os outros protagonistas (e até antagonistas) do nosso país: não foge às responsabilidades. Por exemplo, os chamados “Panamá Papers”. Quantos disseram, preto no branco, que tinham dinheiro em offshores?

Pois eu, sem rebuço, digo que os 15 mil euros que o Expresso me paga por semana para escrever estas linhas estão todas em nome de Barnabé Correia, outro nome que o Comendador usa, nas Ilhas Caimão, nas Ilhas Virgens e noutras ilhas com nomes estranhos. Cada semana ponho o dinheiro numa ilha, pelo que a Madeira também não me escapou.

Outro assunto, o ‘saco azul’ do GES que servia para subornar várias personalidades, entre as quais jornalistas. Se o Ministério Público desvendar a lista lá encontrarão o nome Sebastião Marques, que é outros dos nomes que uso para receber subornos.

Mais: anda tanta gente a interrogar-se de onde vem o dinheiro deste e daquele e eu posso responder: vem de mim. Eu empresto mais dinheiro aos empresários portugueses do que o engº Santos Silva emprestou ao engº José Sócrates. Só o Armando Vara e o Duarte Lima, que são muito sérios, é que recusaram tais empréstimos. De resto, toda a gente lucra com a minha generosidade.

Também tenho um negócio que pode parecer estranho, mas não é. Já o divulguei há muito, mas recordo-o agora: assumo as responsabilidades de outros. Por exemplo, o senhor presidente da Câmara, o senhor ministro, o senhor empresário, seja quem for, fez uma moscambilha? Lá estou eu, de peito feito a dar o nome de Sebastião Barnabé assumindo toda a culpa. Tenho mais TIR (Termos de Identidade e Residência) do que o Luís Simões tem camiões. E se não vou preso foi porque subornei uma boa parte do Ministério Público e da Magistratura Judicial.

Tal como o célebre Gaio Verres, que foi governador da Sicília entre 73 e 71 a.C., também eu precisei apenas de três anos de poder para atingir os meus objetivos:

O primeiro ano para roubar o suficiente para ficar rico;

O segundo ano para roubar o suficiente para contratar um bom advogado (estão a ver qual, não estão?)

O terceiro ano para roubar o suficiente para subornar um juiz e um júri (isto disse ele, mas como não temos júris, prefiro subornar uns magistrados do Ministério Público).

Por isso, pessoal ameaçado pelos ‘Panamá Papers’, pelos sacos azuis do GES, pelas operações isto e aquilo: façam o favor de atirar as culpas para cima de mim. Cá estou para as assumir a troco de modestos pagamentos. E esta proposta é extensível ao Brasil, onde me penso lançar em dias.

Ao vosso dispor.