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Como Marcelo colocou os jornalistas no seu lugar

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Atentíssima Coluna e informadíssima e alternadíssima cusca, fomos nós a descobrir como Sua Excelência o Presidente da República conseguiu – por fim (e dizemos este por fim acompanhado de um suspiro de alívio) – colocar os profissionais da Comunicação na ordem e no seu lugar. Bastava, aliás, olhar para as prioridades presidenciais para perceber a estratégia

Foi isso, exatamente, que fizemos de forma muito rigorosa e assertiva: anotar todos os passos (e foram muitos) do professor Marcelo Rebelo de Sousa e compreender que ele nada faz por acaso, mas sim pela ordem do que considera mais ou menos importante. Seguindo este raciocínio, que confirmámos com uma vizinha do próprio e um empregado de mesa do Hotel Albatroz, ao lado do qual ele costuma nadar em mar aberto, chegámos à seguinte lista de prioridades:

  1. Beber bagaço com uma velhinha como forma de provar que todas as promessas feitas, mesmo as mais insignificantes serão cumpridas;
  2. Fazer um discurso de tomada de posse para ser aplaudido por toda a gente;
  3. Condecorar Cavaco Silva;
  4. Nomear Pedro Mexia como embaixador no Governo Sombra e assessor cultural sombra na sua casa civil;
  5. Nomear o chefe da Casa Militar e uma mulher oficial das Forças Armadas como representante de um dos ramos;
  6. Nomear o chefe da Casa Civil;
  7. Mandar umas informações para o Expresso e o Público;
  8. Analisar o Orçamento do Estado, anunciando que ia divulgar pelas televisões o resultado dessa análise;
  9. Visitar o Papa e a rainha de Espanha
  10. Visitar também o rei de Espanha;
  11. Concordar com António Costa em trivialidades acerca da banca;
  12. Divulgar pelas televisões, às cinco da tarde, a análise do Orçamento do Estado de tal forma que a esquerda ficou confiante e a direita confiante ficou;
  13. Receber o dr. Marcos Perestrello, secretário de Estado da Defesa e um cão de nome Asa, que lhe ofereceu a Força Aérea;
  14. Receber os jornalistas que vão assessorá-lo na Comunicação Social, na Inovação e nos Assuntos Sociais.

Reparem que esta sequência (que terá algumas falhas por manifesta falta de espaço) revela bem o lugar dos jornalistas – abaixo do cão. Isto não é nada que os surpreenda, pois de certa forma todos os jornalistas são abaixo de cão, sobretudo se o cão não seguir a norma do Acordo Ortográfico. Claro que há exceções, mas são de jornalistas que só não estão abaixo de cão porque levam uma vida de cão, embora de quando em vez possam obter bilhetes para o Rock ´n Rio ou para o Optimus Alive.

Resta-me pedir aos meus queridos amigos Paulo Magalhães, Luís Ferreira Lopes e Maria João Ruella que se juntam agora ao staff de Belém para enviarem cumprimentos ao cão, ao Presidente e a toda a gente que entenderem. Daqui a 10 anos tê-los-emos de volta ao convívio jornalístico que há 40 anos era em bares da moda, hoje é em tascas baratas e na altura será no canil da Câmara.

Por mim, sou um criado ao dispor de todos. Incluindo o cão.