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Al-Baghdadi adere à CGTP… ou a Miguel Tiago

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Esta coluna, muito atenta, avisou o Daesh acerca das opiniões de Miguel Tiago. E, perplexa, reparou que os próprios líderes do autoproclamado Estado Islâmico nunca tinham pensado naquela perspetiva. Nos próximos meses, seguir-se-á uma grande discussão sobre se o Daesh deveria aderir ao sindicalismo revolucionário ou ao Miguel Tiago ou se, pelo contrário, continuava no negócio, propiciado pela política de direita, de matar inocentes. A discussão continua

Abu Bakr al-Baghdadi, de seu verdadeiro nome Ibrahim Awwad Ibrahim Ali al-Badri al Samarrai, também conhecido como Dr. Ibrahim ou Abu Dua (acho que vou começar isto outra vez, porque assim parece um obituário do embaixador Cutileiro e o homem ainda nem faleceu).

Recomeçando: Al-Baghdadi, o líder do Daesh recebeu o nosso telefonema com estupefação.

- O quê? – interrogou ele muitas vezes num inglês com sotaque árabe. O quê? Ele acha mesmo isso? Não bastava os americanos terem mandado o meu número dois para as 72 virgens e agora mais essa...

- Sim – esclarecemo-lo – o deputado do Partido Comunista Português Miguel Tiago, rapaz ainda novo, acha que a vossa ação, um pouco por todo o mundo, mas sobretudo em Paris e Bruxelas se deve… deixa-me cá ler para não me enganar, aos nossos governos e que para vos travar é (cito) preciso acabar com as políticas de direita.

- Intrigante! – disse o Abu – tanta coisa, tanto cinto explosivo para nada. Afinal temos a mesma força do que uma greve da CGTP.

- Não entendemos – disse eu com tom majestático e para ele pensar que a Coluna de Alterne era uma organização multinacional.

- O que não entendem? – perguntou o al-Baghdadi – as greves da CGTP não acabam se, em vez da política de direita, existir uma política de esquerda baseada nas premissas que o deputado Miguel Tiago preconiza?

- Bem, achamos que sim.

- Então nós somos como a CGTP. Basta a porcaria de um Governo de esquerda, mesmo que seja infiel para dar cabo da nossa organização. Porque o contrário é impensável; a CGTP nunca pôs bombas…

- Houve, aqui há muitos anos, uma coisa com pregos…

- Pregos? Estás a brincar – respondeu o Abu. Nós é com armas e mísseis de último modelo, acho que até já temos drones.

- Se eu soubesse que as palavras do Miguel Tiago te deixavam deprimido não te tinha dito nada.

- Não, fizeste bem em dizer. Temos muito a refletir. Uma hipótese é aderirmos à CGTP e irmos às suas manifestações para as sabotar, a ver se os governos de direita se mantêm e nós também, porque isso sai mais barato do que comprar armas; outra hipótese é, além de comprar as armas, subsidiar governos de direita para podermos continuar a existir, mas dessa forma fazemos um favor à CGTP; outra hipótese é aderirmos ao Miguel Tiago e cortar-lhe a cabeça.

- Desculpe, tudo isso nos parece confuso!

- Claro que é confuso! Não veem o que disse Miguel Tiago que é de uma complexidade total? Nós existimos porque há pobreza, disse ele, e com essa pobreza sacamos o petróleo para comprar armas de último modelo. Isto não é confuso?

- Sim, na verdade também é confuso, Dr. Ibrahim, mas nós achámos que o deputado Miguel Tiago não estava a ver bem o problema.

- O quê? Um deputado do PCP que não vê bem o problema? Isso não existe. Eles dizem sempre a verdade e a verdade, se corresponde ao que ele disse, é que nós não passamos do nível central sindical. Isso implica uma enorme discussão entre nós, acerca das alternativas que lhes referi.

- Enorme para quanto tempo?

- Para uns meses largos. Olhem, podem dizer ao deputado Miguel Tiago que foi mais eficaz do que toda a polícia europeia.

Dito isto, Abu desligou o telefone satélite. Mas ainda se ouviu a sua voz a convocar todos para um grande debate. O deputado Miguel Tiago, quando foi informado desta conversa não acreditou. Mas podem crer: ele é, à sua maneira, um herói…