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Cozinha criativa com IVA

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Depois do Avillez e de outros chefs com nome, penso ser o IVA um dos mais talentosos e criativos artífices da nossa cozinha. Esta Coluna de Alterne que é verdadeiramente um manual semanal de ajuda aos necessitados, deixa aqui vários modos inventivos de cozinhar de acordo com as taxas de IVA para a restauração que o Governo do Dr. Costa arranjou. Digamos que é uma autêntica ‘bimby’ tributária

Como primeiro ingrediente, temos que o IVA sobre a maior parte da alimentação, senão toda (chegou a haver dúvidas sobre o pão de leite, a tosta, o brioche e iguarias do género) passa a ser de 13%, cumprindo honrada e cabalmente a proposta do PS e dos seus parceiros de apoio à geringótica criação parlamentar.

No entanto, e não fazendo jus, ou pelo menos disfarçando o jus que faz, as bebidas mantêm-se com o IVA a 23%, algumas delas, como as espirituosas, já depois de bem taxadas. Devo confessar que as bebidas espirituosas chamam-se assim porque quando alguém oferece um vodka ou um uísque a outro diz logo a seguir: “Estava a brincar, quando muito ofereço-te uma míni”. Voltando ao ponto, estava a informar que as bebidas se mantém naquele intolerável IVA de 23% que dá cabo da restauração.

Assim sendo, um tipo que pede um bitoque e um copo de vinho, paga 13% pelo bitoque e 23% pelo copo; um senhor que pede uma santola e uma garrafa de vinho verde paga 13% pela santola e 23% pelo vinho verde; um cavalheiro que pede meia dúzia de ostras e uma garrafa de Don Pérignon, paga 13% pelo bivalve e 23% pela magnífica invenção do abade, que é o champanhe.

Para obviar a estas contas estranhas, a Coluna de Alterne dá receitas que podem contornar a lei. Assim:

O bitoque pode ser servido com ovo e copo de vinho a cavalo. Atenção porque tudo faz parte da receita. É como colocar vinho na carne assada, ninguém vai exigir que o cliente pague 23% pelo bocado com que se regou a carne.

A santola pode ser servida com casca de porcelana de vinho verde. Já vejo a ementa: santola com a sua casca falsa de Alvarinho.

E nos ambientes mais requintados, as ostras podem ser apresentadas sobre a sua cama de cristal repleta de Don Pérignon.

Tudo isto, defenderá o chef ou o tasqueiro, faz parte do prato principal. Não pode existir um sem o outro. É como o ovo a cavalo, os picles no pica-pau ou as ameijoas na carne de porco à alentejana. São receitas muito estudadas.

E assim se desfaz a confusão da fatura que tende a parecer a de uma farmácia.

Mãos à obra! Agora que tendes a sugestão é só generalizar o conceito!