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Expresso

Doutrinas económicas segundo John Pal Erma

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A Coluna de Alterne não podia deixar de apresentar em primeira mão, rigoroso exclusivo e pela primeira vez em Portugal uma entrevista com o único economista que nunca se enganou nas soluções nem nos diagnósticos. O professor Pal Erma, e os seus seguidores Pal Ermistas que fundaram uma escola designada por Pal Ermismo dá assim um grande contributo à nossa reflexão comum sobre o país que somos (como diria Sampaio da Nóvoa)

É a favor da redução do horário de trabalho na Função Pública para 35 horas semanais?

Claro que sou. Repare que isso cria emprego. Direi que o emprego que cria é marginal, mas o emprego de marginais também é importante. Aliás, penso que o horário deveria ser ainda mais reduzido, de modo a criar mais emprego.

Mas podemos fazer uma regra segundo a qual quanto menor for o horário de trabalho, mais emprego se cria?

Meu caro amigo, mas isso é evidente! Repare que se o horário de trabalho for igual a zero, o emprego é pleno, não há desempregados, uma vez que estão todos a trabalhar não fazendo nada, porque o horário é igual a zero. Isto, que se ilustra com uma equação tão complicada que não o vou maçar com isso, é evidente.

Mudando de assunto. Acha que a resolução dos bancos foi uma boa ideia.

Prefiro resoluções nas palavras cruzadas e no sudoku. Mas uma vez que fala de bancos, penso que deve ser o Estado a pagar os prejuízos dos bancos. Porque se os bancos falirem, as pessoas ficam sem dinheiro para pagar impostos e os bancos também não pagam impostos. Deste modo, é mais prudente sacar o dinheiro dos impostos aos contribuintes e meter esse dinheiro no banco, de forma que as pessoas ficam sem o dinheiro à mesma, mas sabem onde está – no banco. O Estado também fica sem dinheiro e pode pedir à banca, dando como garantia o facto de ser perene, ou seja imorredoiro. Assim, ficam todos felizes, salvo os que pagam impostos, mas não se pode agradar a todos.

Considera-se mais perto do keynesianismo ou do neo-liberalismo?

Eu sou um académico que não me filio em escola nenhuma. Todas têm defeitos. Por exemplo, o keynesianismo levou Portugal ao endividamento e o neo-liberalismo levou Portugal ao endividamento. O que significa isto?

Que ambas as escolas conduzem Portugal ao endividamento?

Não, nada disso. Significa que Portugal se endivida, independentemente da escola em vigor.

Tem acompanhado as nossas eleições presidenciais?

Vagamente. Penso que há hipóteses para Marcelo Rebelo de Belém ou para Sampaio Neto. Embora me agrade mais o Tino de Matias. É o que tem a política económica mais equilibrada. O Jorge Morais e o Edgar Ferreira não me atraem tanto.

Quer deixar alguma mensagem aos portugueses.

Sim, a mensagem é: Paguem o que devem, seus caloteiros!