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Expresso

Por que quer o Estado 51% de uma companhia de bandeira?

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No Centro Universitário Social de Perspetivas Atuais (CUSPA) da Universidade Apedêutica dedicámo-nos a estudar a razão pela qual os portugueses querem que a TAP seja do Estado – única razão para que o PS seja tão insistente, Costa tão afirmativo e o resto da esquerda tão colaborante, incluindo aqueles movimentos que tinham a sede nos sindicatos de trabalhadores da TAP, mas que eram incontestavelmente movimentos da sociedade civil

Depois de estudarmos o impacto dos girassóis nas doninhas fedorentas e a quantidade de partículas de hélio nas emissões de gás civil, o nosso instituto dedicou-se a um estudo mais científico e mais útil, que tem a ver com a necessidade de um Estado como Portugal ter 51% de uma companhia de aviação altamente endividada e na qual não pode pôr dinheiro.

O estudo não foi fácil, até porque à primeira vista nada parece muito lógico. A TAP foi vendida, não acabou, não se propuseram despedimentos, arranjou mais aviões, anunciou mais rotas, que se saiba o Estado não pôs lá dinheiro… aparentemente estava tudo a correr bem.

Mas não estava! Porquê? Porque o Estado, o país, a nação, os portugueses ficaram sem uma companhia de bandeira, coisa que faz falta ao cineasta António-Pedro Vasconcelos e a mais uns milhões de pessoas. O senhor Neeleman e o senhor Pedrosa já disseram que mantinham a bandeira nos aviões, mas ainda assim os defensores da companhia de bandeira não cedem, porque ter uma companhia de bandeira é poder deixar cair o corpo num daqueles assentos da TAP, comer uma daquelas sandes que eles servem e dizer:

- Esta companhia não é do senhor A nem do senhor B! É de bandeira! É nossa! Se o avião cair morro com a Pátria, como Camões, e não com o senhor Neeleman e o senhor Pedrosa!

Este argumento que nos foi indicado por uma das três pessoas que serviram de base ao nosso inquérito (33%) pareceu-nos adequado. O que para nós foi uma surpresa foi que 66% por cento dos inquiridos disseram querer ter uma companhia só com 51 por cento de bandeira, no que vão ao encontro do dr. António Costa, primeiro-ministro de Portugal (a vírgula que coloquei entre o seu nome e a palavra primeiro-ministro é uma vírgula gramatical e não política).

Chegámos a pensar que tínhamos de alargar a base do nosso inquérito de forma a percebermos exatamente por que razão a companhia de 51 por cento de bandeira recebia a esmagadora maioria dos apoios.

Porém, depois de muito estudarmos, descobrimos esta coisa fabulosa: 51 por cento da nossa bandeira é da cor vermelha (os restantes 49% são verdes, amarelos, azuis e coisas assim). Ora isso desvenda o mistério. A coligação que hoje governa o país tem cerca de 51% dos votos, por isso tudo faz sentido.

É extraordinário como somos um povo inteligente!