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Expresso

Os transportes de borla, já!

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A Coluna, esta Coluna de Alterne, sente-se visivelmente emocionada com os direitos que o povo português já recuperou desde que o PCP formou o Governo do PS. E não pode, por isso, deixar de pedir – que digo? – exigir uma estátua num local não menos importante do que o Marquês de Pombal, ou vá lá, o Areeiro, para o Dr, António Costa. Viva a República!

Houve as reversões nos transportes, e eu aplaudi. Estão a decorrer as negociações na TAP para ficarmos com 51% da companhia que assim volta a ser de bandeira (ou de 51% da bandeira, que é a parte vermelha) e eu rejubilei! Está a ser discutido o aumento do salário mínimo e eu pulei de alegria. Foram prometidos aumentos para os pensionistas e para os funcionários públicos e quase dei em doido. O professor Centeno salvou a catástrofe que o Governo anterior deixou com umas cativações para o final do mês de dezembro, uma coisa que chega a representar, dizem, 0,1% de não sei quê, mas sem a qual o país ia pelo cano, e eu dei graças por termos tais cachimónias no Executivo.

Ao mesmo tempo, a coligação de direita acho que acabou e isso é mais uma vitória do Dr. Costa, enquanto as SCUT vão voltar a ser de borla, o que está ao nível de um oásis no deserto.

Mas aquilo que me fez exigir a estátua em lugar de relevo para o senhor primeiro-ministro foi, acima de tudo, a reposição do direito adquirido mais injustamente roubado aos trabalhadores: a possibilidade de os familiares dos funcionários da CP terem viagens de borla.

Eu exulto! Exulto porque presumo que tal medida seja extensiva aos administradores da CP e a quem os nomeia, como é óbvio. E, sendo assim, deve ser igualmente extensível a todos os acionistas que salvo erro deve ser uma empresa que tem por acionistas muita gente entre os quais eu – refiro-me aos contribuintes!

Por isso mesmo, é de exaltar a ideia de andar de borla na CP – e pergunto legitimamente – por que não no Metro, na Carris, na STCP e em todas as que foram e serão revertidas para o Estado? E mesmo nas privadas? Sim, que querem os privados senão fazer dinheiro e lucros e isso tudo senão à custa da nossa necessidade de nos deslocarmos? Já pensaram no pobre trabalhador que para ir trabalhar ainda tem de pagar o transporte?

É por isso, e desta forma simples, que eu compreendo o passo de gigante dado com a possibilidade de os familiares dos empregados da CP poderem, de novo, utilizar de graça os comboios. Mas não fiquemos apenas pelo que nos tinha sido tirado. Há novos tempos, a necessitar de novos direitos.

Todos os transportes devem ser gratuitos para todos os familiares de todos os trabalhadores.

Eu penso que Dr. António Costa compreende isto. E por isso merece uma estátua!