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Expresso

O apoio inequívoco da CGTP ao Governo

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A Coluna de Alterne, sempre munida de fontes independentes da realidade, como é o caso de tanta Comunicação Social, conseguiu ter acesso às gravações da última reunião da direção da CGTP-Intersindical, que a seguir revela, embora consciente que terá menos audiência do que um interrogatório de um arguido ou um plenário onde o patrão pede palmas para a administração que despede 2/3 do pessoal. Mas é o que temos…

Arménio Carlos – Camaradas, agora que temos um Governo de esquerda, no qual votou a coligação que verdadeiramente defende os interesses dos trabalhadores, o PCP e o PEV, temos de fazer algumas alterações. Se calhar é chato no nosso documento de estratégia para o Congresso de fevereiro, intitulado “Programa de Ação para o mandato 2016-2020” passar a vida a dizer que os socialistas são responsáveis pelo desaire do país.

Outro – E não são?

Arménio – Claro que são, mas a gente pode disfarçar um bocado.

Outro – Tiramos metade das referências e deixamos as outras

Arménio – Boa! Está aprovado!

Outro – Mas ó camarada e vamos deixar de fazer greves?

Ana Avoila – Na Função Pública?

Mário Nogueira – Nos professores?

José Oliveira – E nos transportes?

Arménio – Bem, penso que não. A ministra da administração pública era aquela reacionária do Governo do Sócrates, para mais casada com o anticomunista Vital Moreira, por isso há que estar vigilante; nos professores puseram lá um tipo muito tenrinho, mas veio do estrangeiro, pelo que há que estar vigilantes; nas infraestruturas puseram aquele reaça que fez a reforma da segurança social para o Vieira da Silva, pelo que também temos de estar vigilantes. Aliás, camaradas, temos de estar vigilantes!

Outro – Não é esse, o dos transportes. É o outro do Ambiente.acho que se chama Matos Fernandes.

Arménio - Mas quem é que pode compreender os socialistas? Metem os transportes no Ambiente... hum é suspeito. Temos de estar vigilantes

Outro – Portanto, é como sempre! Vigilância, greves, manifestações e isso!

Arménio – Não é bem; quer dizer, pode haver greves, mas até podem ser a favor do Governo. Por exemplo, o Governo já mandou parar o processo de privatização dos transportes…

Vários – Isso é bom, sim senhor!

Arménio – Sim, mas para eles terem a certeza de que isso é mesmo bom e importante para nós, a gente pode fazer uma greve de apoio ao tipo do Ambiente. E o mesmo na Educação. Eles acabam com os exames e com as provas para os professores, como queria aqui o camarada Nogueira. O que nos impede de fazer uma greve de reconhecimento?

Nogueira – Nada! Seria até um gesto bonito.

Arménio – Acima de tudo, camaradas, o que interessa é não os tratar como é costume: traidores, reacionários, bandidos e isso. Devemos, quando muito dizer que não estão a ver bem o problema, pelo que nós vamos ajudá-los, fazendo plenários, manifs e greves, a compreender melhor a situação dos setores que são para nós vitais.

Avoila – Portanto, é o costume, mas com boas maneiras…

Arménio – Isso mesmo! Pelo menos enquanto os partidos que verdadeiramente defendem os trabalhadores, o PCP e o PEV, apoiarem este Governo. Depois é voltar mesmo ao costume. Obrigado pela vossa compreensão, camaradas, e ao trabalho, quer dizer à greve!