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Expresso

Todos diferentes, todos iguais e algumas falhas

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A Coluna de Alterne está esta semana um pouco desatenta, mas mesmo assim sabe que o Governo mudou. E, sobre essa mudança, descobriu, com a colaboração da líder do Bloco, uma falha inqualificável no Governo, a qual tem a certeza, será colmatada assim que for possível

Estavam reunidos o cigano, a cega e a preta – perdão, esta coluna não sendo para o ‘Correio da Manhã’ afinal não pode começar assim, de forma preconceituosa e racista.

Recomecemos, pois:

Estavam reunidos dois secretários de Estado (das autarquias e da integração de pessoas com deficiência) com a ministra da Justiça, quando se aproximou o senhor primeiro-ministro, o qual, com o seu sorriso largo de vencedor conjugado com o esgar preocupado de negociador e com a fronte cerzida de gestor de falências, disse:

- Sim senhor, todos diferentes, todos iguais.

Foi então que, detrás de uma sebe saltou Catarina Martins, que é sempre quem sabe o que de mais importante está para acontecer e exclamou:

- Mas faltam algumas diversidades gritantes!

- Olha, não sabia que também havia uma anã – disse aquela repórter que está sempre escondida atrás de uma viatura para perseguir Costa.

- Anã, não – gritou-lhe Catarina Martins – cidadã desafiada em termos de altura, como o António Vitorino e o Marques Mendes.

Costa, com o seu ar vitorioso-preocupado-falido aproveitou então para interrogar Catarina:

- Minha querida amiga e excelsa parceira de apoio a este Governo diverso que incluiu tudo o que havia para incluir no Executivo. Como pode afirmar que subsiste a falta de alguém diverso no meu gabinete?

- Falta! Falta! Falta, sim senhor!

- Mas quem, de que tipo? – insistiu Costa.

- Desde logo – volveu rápido Catarina – uma ou um imigrante. Ucraniano ou assim, tipo Paula Teixeira da Cruz… Refiro-me ao aspeto e não à pessoa. Depois um esquimó, porque os esquimós são sempre pessoas desprezadas em todos os locais, como aliás todos os nativos da América; por último um bosquímano ou um curdo, que são povos sem Pátria.

Costa refletiu um pouco e respondeu com o seu ar agora mais preocupado, igualmente falido e menos vitorioso:

- Eu o imigrante ainda posso concordar, embora aqui a senhora ministra da Justiça complete em si essa quota também. Ela nasceu em Angola e veio para cá – é certo que há muito tempo, mas é imigrante. Já o esquimó, o bosquímano ou curdo não me parece fazerem sentido porque nada têm a ver com o nosso país…

- E que tem isso a ver? – interrogou Catarina com o seu ar simultaneamente trocista, vencedor e despreocupado – o nosso Governo – e penso que posso dizer nosso…

- Claro – retorquiu Costa com um ar cada vez mais preocupado e falido e menos vitorioso…

- O nosso Governo – insistiu Catarina – é um exemplo para o mundo. Não pode ficar confinado às escassas fronteiras e limites de Portugal. Daqui, proclamamos para todo o planeta o que podemos. O que pode a esquerda, o que pode um partido como o Bloco, enfim, o que posso eu!

E Costa, com o ar já só falido, apenas lhe disse:

- Veremos o que se pode fazer…