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Expresso

O Pedro não dá a mão ao António, porquê?

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A Coluna de Alterne sempre completamente informada, mesmo de coisas que ainda não aconteceram, vem aqui verberar comportamentos que não são próprios deste século, ou vá lá, desta década. Entre elas escolheu como exemplo a falta de humanidade com que Pedro Passos Coelho trata António Costa, que se tem esforçado, e muito, para o substituir no enorme fardo que é levar este país ao lombo

Como se sabe, o post-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho deixou claro que jamais daria a mão ao pré-primeiro-ministro António Costa e que até achava que ele se devia demitir e pedir desculpa no caso de precisar do PSD. Achamos errada esta posição devido a uma série de argumentos, que passamos a expor.

1) Pensamos que António, embora não o afirme por natural modéstia, quer ser primeiro-ministro para aliviar de trabalhos o Pedro. Ambos bem sabem que ser primeiro-ministro é um trabalho cansativo, ingrato e mal pago. O doutor Salazar que nestas coisas tinha mais experiência do que os dois (e mais o Cavaco e o Soares) juntos, dizia, com total conhecimento: "se soubésseis quanto custa mandar, preferíeis toda a vida obedeçer". Por isso o Pedro deve agradecer ao António o alívio e não ser mal educado;

2) Não temos a certeza se Pedro, que é naturalmente distraído, já descortinou, mas o António é um rapaz de origem indiana que andava ali para o Martim Moniz/Intendente. Bem sei que o Pedro é casado com uma mulher de origem guineense mas, para quem não esteja familiarizado com esse pormenor, pode achar que a atitude de Pedro revela um racismo, senão étnico, pelo menos social, em relação ao António.

3) Há uma interpretação mais grave, sobretudo agora que o país chegou a um consenso enorme sobre essa matéria: a ideia que se pode criar de que Pedro só não dá a mão a António por razões homofóbicas, quando nem há motivos para isso. Seria, ainda assim, a mais grave das acusações que se lhe pode fazer.

4) Outra hipótese é o Pedro estar, por qualquer motivo que me escapa, zangado com o António por ele lhe estar a roubar um brinquedo, um jogo, um hobby ou assim. Todos sabemos que essas birras passam e que não vale a pena ligar muito ao que se diz no auge das disputas.

5) Outro modo de ver as coisas é pensar que eles estão os dois zangados a sério e que, tanto um como outro, acham que devem ser primeiros-ministros porque assim nós servem melhor. Sobre isso devemos dizer que não se amofinem, porque à maioria de nós tanto lhes faz, uma vez que já sabem que o seu destino é semelhante, seja qual for mandante.

6) Por último há quem ache que isto é encenação e que eles, longe dos bastidores e das luzes da ribalta bebem uns copos juntos e riem-se muitos com as anedotas sobre o Gaspar, a Maria Luís e o Centeno. Deus queira que assim seja, pois essa é a forma mais saudável de levar a vida.

Esperemos, de facto, que seja esta última hipótese a verdadeira (e temos informações naturalmente falsas dos nossos serviços de Informação e uma declaração daquele senhor que é advogado de Sócrates que vão nesse sentido). Eles até gostam um do outro e estão ambos empenhados na mesma coisa: o desenvolvimento, enriquecimento e felicidade do povo português. Não se entende, pois, que num país tão pequeno, numa nação minúscula venha alguém dizer que não dá a mão ao outro. Eu acho que o António, só por pirraça, devia agarrar-se ao Pedro e nunca mais o largar. (Mas não ao pescoço, como lhe disse o Galamba noutro dia, eu referia-me mais a um braço).