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Expresso

Quero ser nomeado por Cavaco

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A Coluna de Alterne tem um programa de Governo até 2300, pelo menos. São 285 anos de estabilidade, sem qualquer hipótese de derrube no Parlamento. Como se faz isso? Meu caro Cavaco, essa receita é minha e paga direitos de autor. Mas se estiveres disposto a pagar, eu partilho-a pelo mesmo preço que se partilha um gato persa no Facebook. Vamos a isso?

O primeiro passo que dás é nomear-me primeiro-ministro a prazo, até 2300, data para a qual convocas eleições (em Junho, para dar tempo a fazer um Orçamento). Não podes, dirás. Mas podes, se arranjares seis constitucionalistas que digam qualquer coisa sobre o assunto. Depois convocas mais seis para interpretarem o que disseram os anteriores e por aí fora, durante a vigência do Governo ou a tua - o que acabar primeiro.

Entretanto, eu apresento o Governo. Tudo malta popular, incluindo o Marcelo e o Manuel Luís Goucha, sem esquecer a Judite de Sousa, a Clara de Sousa, o Miguel de Sousa (Tavares), o Rui Tavares, o João Miguel Tavares, o Tavares Rico, o Gambrinus e assim.

Desse programa farão parte estes pontos:

A.Combater o "inverno demográfico";

B.Apostar na valorização das pessoas, elemento estruturante do combate à ̀ promoção da mobilidade social;

C.Defender e revigorar o Estado Social, como instrumento de combate às desigualdades sociais;

D.Robustecer a competitividade da economia, assente no crescimento do investimento, da inovação e do emprego, nas exportações e na produção de bens transacionáveis, e no aumento dos rendimentos das pessoas e do seu poder de compra;

E.Promover a eficiência do Estado e a qualificação dos serviḉblicos, mais próximos dos cidadãos e mais amigos das empresas.

(Se acaso isto te parece semelhante ao programa do Governo PSD/CDS não é por acaso, foi mesmo roubado de lá).

Além disso, proponho ainda manter o compromisso de respeitar as regras europeias e as metas do défice. Mantém-se a ideia de sair do procedimento de défice excessivo (cujo limite é o de um défice de 3%) mas a evolução do défice até ao final da legislatura passa por uma redução para 2,7% (em 2017), 2,1% (2018) e 1,4% (2019), 1% e 0% e menos 3 % e ainda o que se entender. (Parte disto foi roubado ao programa do PS que só chega a 2019 e a 1,4%).

Somos ainda a favor da NATO e da UE e da UEO e da FOX e da FOXCrime, do AXN, da SIC e da TVI, além de diversas outras siglas, mas combateremos sem tréguas a inflação, a deflação e a própria flação.

Também somos contra uma série de coisas que o PCP e o Bloco, entre outros partidos, nos façam o favor chegar, mas defendemos o voo da Águia Vitória e uma Companhia de Bandeira, sem especificar que bandeira será.

É possível que alguém ache isto ilegítimo, cá dentro e na Europa, mas se formos pagando a dívida eles não se importam assim tanto. Olha o Orban na Hungria!

E assim vamos vivendo os próximos 285 anos. Quando alguém morrer substitui-se por um igual. Há de sempre haver um Marcelo, um Manuel Luís Goucha ou um apresentador de televisão popular. Tu reformas-te, finalmente, e ficas autorizado a acumular as reformas todas.

Comigo não te preocupes. Eu não tenho ambições políticas.