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Expresso

Vamos a eles! Agora é que é – o programa de Passos

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A Coluna de Alterne, sempre prestável e amiga de ajudar, foi em socorro do novo e recém-empossado primeiro-ministro Passos Coelho para o ajudar a fazer não só o programa do Governo, que ninguém lê, como sobretudo o discurso no Parlamento sobre o novo Governo, que algumas pessoas têm mesmo de ouvir. Em qualquer dos casos, recomendámos-lhe abertura à esquerda (porque achamos que foi isso que Cavaco quis dizer e, de qualquer modo, se não foi isso, foi o contrário). Eis as linhas mestras do discurso já com a abertura à esquerda:

“Camarada Presidente da Assembleia da República, camaradas deputados e amigos do CDS (o CDS recusou, de qualquer modo o tratamento por camarada).

Aqui estamos reunidos para aprovar o programa de um Governo diferente. Um Governo formado por pessoas que viram a luz do crescimento económico depois de, durante quatro anos, estarem possuídas pela troika, pelo Memorando de Entendimento e por uma maldição ou providência cautelar que o primeiro-ministro lançou sobre nós.

Libertos de todas estas cangas e mais da de sermos maioria, temos várias novidades a propor. A primeira das quais é não cumprirmos o Tratado Orçamental e deixar derrapar o défice; reporemos todos os salários cortados e no que diz respeito às pensões, não só as reporemos como aumentaremos 2,5% o seu valor. O IMI baixa, o IVA passa para 19%, o IVA da restauração para 13%, criaremos novos escalões no IRS e faremos um cabaz de compras de primeira necessidade com preços tabelados. As grandes fortunas, ou o que restar delas, serão ferozmente penalizadas.

Vamos controlar a banca a partir do Ministério das Finanças e manter as relações privilegiadas com países com Angola, Venezuela e Coreia do Norte.

Na Europa, bater-nos-emos com toda a força pela reestruturação da dívida. De tal modo, que enfrentaremos sem medo as agências de rating. Estamos cientes de que isso nos pode custar caro em matéria de juros da dívida pública, mas optaremos pela nossa independência nacional e não permitiremos que uns burocratas no centro da Europa ditem a nossa política.

No que toca à política externa, a nossa proposta é mantermo-nos na Nato, mas sair da sua estrutura militar. Portugal gasta de mais em Defesa e isso tem de ser invertido.

Na área da Justiça daremos instruções para que sejam arquivados todos os processos que envolvem Sócrates e os seus amigos, sejam eles quem forem.

O Governo apoiará sem hesitações o professor Sampaio da Nóvoa para Presidente.

E, daqui, faço um desafio à ala esquerda, formada pelo PS, Bloco e PCP: votem contra este Governo e este programa se forem capazes. Caso queiram votar a favor ficam avisados que pode haver alguns pontos e promessas que não teremos capacidade de cumprir. Ao fim e ao cabo, vocês sabem como nós somos!